Particionamento: Prática
No post Particionamento: Teoria foram abordados os motivos para se realizar o particionamento de dispositivos de armazenamento, critérios a serem aplicados no momento de realizá-lo e os conceitos envolvidos nesse processo. Neste post será exibida a parte prática do particionamento, exemplificada pelo particionamento de um cartão para uso no N800/N810. O processo é mostrado em detalhes no próprio aparelho, utilizando o GParted. Contudo, são mostradas formas alternativas de se fazer o processo em outros sistemas operacionais, incluindo Windows, Ubuntu e Maemo 5 (no N900).
Particionamento com o GParted
O GParted é um programa que oferece um conjunto variado de operações para dispositivos de armazenamento. Ele oferece uma interface gráfica que permite visualizar dispostivos e manipular as partições existentes. Um dos recursos interessantes é a possibilidade de mover partições, mantendo os dados (mas sempre há um pouco de risco de perdê-los).
Na realidade, o GParted é uma interface Gnome para a biblioteca libparted (parte do GNU Parted). Há versões do programa para diferentes distribuições GNU/Linux que, apesar de alguma diferenças visuais em tonalidades, ícones e suavidade das janelas, mantêm o mesmo padrão de interface do programa e as mesmas funcionalidades.
Neste post será mostrado o processo de particionamento de um cartão para o Maemo, tendo como base a divisão proposta no post anterior sobre particionamento. A configuração montada foi:
- 1 Partição com FAT16 ou FAT32: reconhecida pelo sistema como o cartão interno, e que é utilizada como área de armazenamento quando o N800 é ligado ao computador como dispositivo de armazenamento. A utilização de um desses formatos é importante para que a partição seja reconhecida por diversos sistemas operacionais, incluindo GNU/Linux, MacOS e Windows. É comum encontrar partições com tamanhos que variam entre 256MB e 1GB. Esse espaço funciona como uma área de transferência de dados, ou pendrive, utilizado a partir do N800.
- 1 Partição swap: permite usar o cartão como extensão da memória principal para programas em uso, permitindo que mais aplicativos sejam abertos ainda que a memória RAM seja totalmente usada, mas implicando em uma lentidão maior. Normalmente essa partição é criada com tamanhos entre 128MB e 256MB.
- 1 Partição ext2 ou ext3: é criada de forma a permitir melhor integração com sistemas operacionais GNU/Linux, tendo características importantes como atribuição de restrições e privilégios de acesso, para atender a requisitos de segurança. Esse tipo de partição normalmente é usado para instalar ou clonar o Maemo ou arquivos e aplicativos sejam passados para ele, mantendo as configurações (de segurança) do sistema.
Na próxima seção será mostrado o processo de particionamento usando uma versão do GParted para o Maemo 4, usado no N800 e no N810. Nas seções seguintes serão vistas formas alternativas de se utilizar o programa no Ubuntu e versões independentes de sistemas operacionais instalados. Para fazer o particionamento nas versões para outros sistemas operacionais podem ser seguidos esses mesmos passos.
Aviso: a exclusão de partições e o processo de formatação apagam os dados contidos no cartão. Antes de fazer alterações na forma de particionamento, salve os dados em outro local, caso queira preservá-los. Tudo o que você fizer é por sua conta e risco.
Maemo (N800 e N810)
No N800 ou N810 é possível instalar o GParted baixando e executando o arquivo gparted-hack.deb. Após a instalação ele estará disponível no menu ‘Extras’ como ‘Partition Editor’. Ao abrir o aplicativo o cartão interno é mostrado, com as partições já existentes.

Visualização de um cartão no GParted usado no Maemo
Se o cartão a ser manipulado for outro, basta acessar o menu principal com
- ‘GParted’ -> ‘Dispostivos’ -> cartão a ser escolhido.
Se o cartão tiver sido inserido depois ou não for reconhecido, tente a opção ‘Atualizar Dispositivos’ para que o aplicativo o reconheça.

GParted - Seleção de dispositivo para o particionamento.

GParted - Cartão com as partições excluídas
Caso o cartão já tenha alguma partição, o primeiro passo para iniciar a configuração planejada é excluir a partição existente. Selecione o único item que há desenhado e escolha excluir. Após a remoção aparecerá uma área cinza indicando o tamanho do cartão e informando que o espaço não está alocado.
Para criar uma nova partição, clique sobre a área cinza, em seguida clique no botão ‘Novo’ e então preencha os dados equivalentes. Para o exemplo foi utilizado o sistema de arquivos FAT16, em função do uso de 512MB para o tamanho da partição. Para o espaço livre antes e após foram mantidos os atribuídos ou calculados pelo programa.
No N800 não é oferecida uma forma de digitar diretamente o número referente ao tamanho da partição. Para facilitar o processo, basta clicar sobre a barra que representa a partição e redimensioná-la . O ajuste fino do valor pode ser feito com as setas para cima ou para baixo, presentes ao lado do número. Outras opções são o uso de um teclado externo (USB ou Bluetooth) ou do synergy.

GParted - Criação de uma partição FAT 16
A segunda partição será a de swap. Para criá-la é só seguir os passos anteriores, atribuindo como o tamanho 256MB, adotando a partição como primária, seu sistema de arquivos como Linux-swap e mantendo os valores de espaço livre antes e após como os definidos originalmente. Para isso, selecione a área cinza, logo após a opção ‘Nova’ e então insira os dados.

GParted - Criação de uma partição para SWAP
Com o espaço restante do cartão pode ser criada a partição de dados. A partição também é criada como primária e tem como sistema de arquivos o ext2.

GParted - Criação da partição para dados
Com todas as configurações feitas, confira os valores e, se tiver certeza, aplique as alterações. É neste momento que as mudanças serão aplicadas e que todos os dados do cartão serão apagados. Para confirmar as alterações acesse no menu
- ‘Editar’ -> ‘Aplica todas as operações’.

GParted - Opção para aplicar modificações configuradas
Manter a partição swap entre a partição usada para ser reconhecida como pendrive (para a troca de dados com vários sistemas) e a de dados é interessante para permitir um ajuste posterior, caso seja necessário. Por exemplo, caso seja necessário ter mais memória virtual, é possível diminuir a partição ‘Transferẽncia’ e aumentar o tamanho da ‘swap’. Se o caso for contrário, a memória virtual não for muito utilizada e existir a demanda maior por espaço de compartilhamento de dados, basta diminuir ou remover a partição swap. A partição de dados pode ser usada da mesma forma com relação a swap, aumentando o diminuindo seu tamanho com modificação da partição que a precede no dispositivo de armazenamento. Nesse caso isso não parece tão útil, já que a área de swap é pequena. Em outras circunstâncias, essa é uma boa dica.
Observação: Arredondar para cilindros ou “round to cylinders” é uma opção que aparece nas janelas de criação e edição de partição. Apesar de o conceito de ‘cilindros’ não ser aplicado a cartões, essa opção deve ser usada com cuidado nos casos de modificação de partições. Se uma partição for redimensionada e a opção de arredondar para cilindros estiver habilitada, é possível que a partição seja movida para ser alocada no limite do cilindro. Além de fazer com que o processo de modificação seja mais lento, já que envolverá a mudança dos dados, é possível que ocorram problemas, como ocorre ao modificar uma partição do Windows Vista.
Sendo mais enfático, a pedido do Panaggio, deve-se evitar mover partições NTFS e outros padrões fechados. Como não se conhece totalmente a especificação destes padrões há um grande risco de o processo apresentar alguma falha.
Ubuntu
O GParted já está disponível na versão Live CD do Ubuntu, que pode ser executada a partir do CD de instalação. Caso o programa não esteja disponível a partir do sistema já instalado, é possível adicioná-lo a partir do terminal executando o comando:
sudo apt-get install gparted
Após a instalação ele pode ser acessado em
- “Sistema” -> “Administração” -> “Editor de Partições”.
A interface é a idêntica à versão presente no Maemo. Para selecionar um dispositivo, é preciso apenas selecionar seu nome na lista à direita. Se o cartão for acessado a partir de um leitor que é visto pelo sistema como um pendrive, o dispositivo deve ser listado normalmente. No entanto, para conseguir selecionar o cartão a partir do leitor integrado ao notebook, por exemplo, talvez não seja possível apenas atualizar a lista de dispositivos pelo menu. Para conseguir editar o cartão é preciso ir no terminal e digitar:
sudo gparted /dev/mmcblk0
Nesse caso, o primeiro cartão disponível será aberto e selecionado pelo GParted. Para saber qual cartão deve ser chamado, basta executar no terminal:
ls /dev/mmc*
Com isso devem ser exibidos os cartões presentes, como:
/dev/mmcblk0 /dev/mmcblk0p1
A listagem inclui os cartões e suas partições. Cada cartão deve aparecer como mmcblkX, onde X é um número inteiro que começa em 0 e incrementa a cada cartão diferente presente. As partições são mostradas no formato mmcblkXpY, onde X é o cartão e Y é o número que identifica a partição. Tanto o cartão quanto a partição podem ser usados no momento de executar o comando que abre o GParted, mas caso a partição seja escolhida, apenas ela estará disponível para edição.
Ao abrir a partir do comando do terminal, GParted seleciona o cartão definido e mostra suas configurações.

GParted no Ubuntu
Como é comum que o Ubuntu monte automaticamente os dispositivos inseridos no computador, é provável que o cartão já esteja montado. Para fazer qualquer alteração, é preciso clicar sobre um dos itens mostrados na lista de partições e solicitar sua desmontagem.
GParted – Alternativas para outros Sistemas Operacionais
Para aqueles que não têm uma distribuição GNU/Linux como o Ubuntu instalada, existem outras formas de se executar o GParted, como pelas opções de Live CD, USB e disquete. O próprio Ubuntu pode ser gravado em um CD e ser executado em um computador sem precisar ser instalado. Isso já garante a opção de usar o GParted para fazer o particionamento de cartões ou de discos.

GParted Live - Sistema Operacional básico
Uma opção semelhante, mas ainda mais leve, é o GParted Live. Assim como o Ubuntu, ele pode ser colocado em um CD, pendrive ou cartão para que o usuário dê boot a partir dele. O programa vem em uma imagem própria para gravação em CD, mas pode ser gravado em um pendrive ou cartão SD usando o UNetbootin, disponível para Windows e GNU/Linux. Com isso, uma distribuição GNU/Linux é inicializada e abre automaticamente uma versão do GParted para o gerenciamento de um dispositivo de armazenamento.
O processo de inicialização do GParted Live exige interação com o usuário em 3 momentos. No primeiro solicita a escolha da forma de configuração do teclado. Em seguida, solicita a escolha de um idioma (a opção 01 é para o português do Brasil). Por fim, dá opções para o modo de inicialização, cuja opção padrão deve funcionar bem para a maioria dos computadores e pode ser escolhida pressionando ENTER.

Uma terceira opção é o GParted Live USB, já pronto para ser copiado para um pendrive para abrir o sistema com o GParted. Apesar do processo de configuração do pendrive ser simplificado, há um número maior de perguntas durante a inicialização do sistema, que envolve configuração do vídeo e outras opções. Em comparação com o GParted Live, essa opção inclui mais aplicativos no sistema operacional carregado, incluindo um gerenciador de arquivos e um editor de texto com interface gráfica.

GParted Live USB - Desktop e Particionador
Todas as opções de execução do GParted possuem o mesmo modo de funcionamento apresentado para a versão do Maemo. Para fazer o particionamento ou formatação de um dispositivo de armazenamento, é possível seguir as recomendações feitas na seção do sistema operacional do N800/N810.
Particionadores em outros sistemas operacionais
Em algumas situações é possível evitar o trabalho de utilizar um outro sistema operacional ou opção Live CD para e realizar alguma operação envolvendo partições no sistema operacional que se tem disponível. Algumas vezes as opções apresentadas pelos sistemas são limitadas, mas podem permitir realizar a ação que se quer no momento.
Gerenciamento de Disco do Windows
O Windows tem seu gerenciador de disco que permite visualizar os dispositivos de armazenamento e as partições criadas. Porém, o programa é limitado aos sistemas de arquivo trabalhados pelo Windows, como FAT16, FAT32 e NTFS.

Particionamento no Windows
Ao testar a modificação das partições criadas pelo GParted, o Gerenciador de Disco do Windows XP apagou todas as partições do cartão, essencialmente por conter sistemas de arquivos não reconhecidos (como o EXT2). Apesar do número limitado de sistemas de arquivos suportados, o gerenciador é interessante para particionar e formatar discos e cartões de memória que utilizem FAT e NTFS como sistema de arquivos.
Disclaimer: se dependesse do panaggio, isso não estaria aqui :o)
Particionamento no Maemo 5 (N900)
No N900 há pelo menos duas opções disponíveis para se realizar o particionamento. A primeira opção é o sfdisk que oferece recursos para manipular a tabela de partições no GNU/Linux. A interface é apresentada em modo texto e não oferece as operações de uma forma muito intuitiva, o que deve exigir cuidado extra ao realizar o particionamento.
Outra opção disponível para o Maemo 5 é o cfdisk que não chega a ter uma interface tão intuitiva quanto o GParted, mas é mais fácil de se usar do que o sfdisk. Para usá-la no N900 é preciso habilitar o repositório extras-devel e executar no terminal:
root apt-get install cfdisk
Porém, como alertado no maemo.org, o cfdisk precisa ser usado com cuidado, já que está em uma versão de desenvolvimento e pode apresentar bugs. Neste ponto o sfdisk parece ser a opção mais estável, apesar de menos intuitiva.
Para usar o sfdisk e o cfdisk é preciso abrir o terminal e executar o programa com uma referência ao dispositivo que será particionado, da mesma forma realizada para executar o GParted no Ubuntu . Por exemplo, para executar o cfdisk com o cartão de memória é preciso fazer no terminal:
cfdisk /dev/mmcblk1
Após sua execução é apresentada a tela inicial do particionador, com um menu que apresenta opções navegáveis com os botões do teclado.
Um bom tutorial sobre o cfdisk pode ser encontrado no Guia do Hardware.
Particionamento no Maemo 4
Para quem desejar outras opções para o Maemo 4, além do GParted, existem o Fdisk e o Cfdisk, que trabalham em modo texto. Uma forma de usá-los no Maemo é instalando o console-tools que possui ferramentas úteis para serem usadas no processo de clonagem do sistema operacional para o cartão, além dos próprios particionadores. Alguns exemplos de como utilizá-los podem ser vistos em: fdisk (em inglês) e cfdisk (em português).
Conclusões
Apesar de não estar disponível em sistemas não GNU/Linux, como o Windows, o GParted oferece uma opção completa para o particionamento e formatação de dispositivos de armazenamento. As opções que executam a partir de mídias “bootáveis” oferecem uma boa alternativa para sistemas que não possuem um bom particionador incorporado.
A versão do GParted para o Maemo 4 é tão completa e intuitiva quanto as apresentadas em outros sistemas operacionais, como o Ubuntu. Para quem deseja um outro particionador no N800/N810 há opções como o fdisk e o cfdisk. Este último também está disponível no Maemo 5 e, junto com o sfdisk, permitem particionar meios de armazenamento em massa no N900.
Synergy no N900: compartilhando teclado e mouse do computador para o N900
O Synergy já foi apresentado no blog como uma forma de se compartilhar o mouse e o teclado do computador com o N800 e o N810. O objetivo deste post é mostrar como fazer o mesmo processo para o N900.
O interessante do Synergy é a possibilidade de uso de um teclado e de um mouse em vários computadores e dispositivos, entre diferentes sistemas operacionais. Dentre sistemas para os quais o programa está disponível podem ser citados Windows, Ubuntu e outras distribuições GNU/Linux e o Mac OS. O uso dele é interessante em um local em que há vários computadores ligados a seus próprios monitores. Para usar mais de um computador em um local de trabalho, por exemplo, usa-se o Synergy para usar apenas um teclado e um mouse e controlar todos os computadores. Para controlar um computador basta levar o cursor do mouse da tela do computador atual até o que se deseja acessar. O cursor irá sumir do monitor atual e passar para o novo, como se fossem dois monitores para um computador, mas, na realidade, sendo para computadores diferentes.
Dado o exemplo de uso é fácil reconhecer a utilidade do programa. Para o caso de uso de um computador compartilhar o teclado com o N900 a utilidade está em inserir texto de forma mais ágil no aparelho enquanto se está em um local com computador acessível. Assim, é possível digitar uma lista de compras no N900, usando o teclado do PC, e levá-la ao supermercado. Além disso, para fazer as configurações e instalações realizadas no terminal, comuns no N900, pode-se aproveitar a praticidade do teclado utilizado para a máquina de trabalho.
O funcionamento do Synergy pode ser visto no vídeo abaixo (novamente, para aqueles que têm uma boa visão…). Nele é mostrada a interação entre netbook (com Ubuntu) e N900 (Maemo 5), mostrando o uso de teclado, mouse e da capacidade de copiar texto entre os dispositivos.
O Synergy está disponível para o Maemo 5 a partir de um arquivo binário extraído do Easy Debian, conforme apresentado no fórum do Maemo.org. O arquivo pode ser instalado no N900 de forma independente do uso do programa do qual foi retirado. No entanto, a versão para o Maemo 5 ainda não tem uma interface intuitiva como a do QuickSynergy, disponível para distribuições GNU/Linux, como o Ubuntu e o Maemo 4, e para o Mac OS X. Contudo, como a idéia é utilizar mouse e teclado do computador para controlar o telefone, o Synergy é executado como um cliente, ficando para o PC a tarefa de configurar a disposição das telas e computadores que se beneficiarão do compartilhamento.
O requisito para a utilizar o Synergy entre duas máquinas/dispositivos é que eles estejam em uma mesma rede. Considerando esse requisito satisfeito, será mostrado como configurar o computador e o N900 para atuarem juntos com o Synergy. A versão desktop utilizada como exemplo será a do QuickSynergy no Ubuntu. O processo no Windows pode ser visto no post do N800/N810, já que a configuração do servidor é exatamente a mesma, independente do dispositivo que utilizará o compartilhamento. Na próxima seção será mostrado o processo de configuração, originalmente postado no fórum da comunidade do Maemo.
Configurando o computador pelo Ubuntu
O Synergy e o QuickSynergy, por padrão, já estão disponíveis nos repositórios adotados pelo Ubuntu. Para instalá-lo basta entrar no terminal e aplicar o comando:
sudo apt-get install synergy quicksynergy
O QuickSynergy é uma interface simples e intuitiva para o Synergy. Após sua instalação no Ubuntu ela deve aparecer em:
- ‘Aplicativos’ > ‘Acessórios’ > ‘QuickSynergy’
Outra forma é pressionar ao mesmo tempo ALT+F2 e digitar ‘quicksynergy’, para que o programa seja aberto.
Ao ser aberto é mostrada a interface apresentada na Figura à direita. Tudo o que precisa ser feito para compartilhar o mouse e o teclado já está na tela principal. É preciso apenas escolher uma das quatro posições disponíveis e escrever o nome do N900. O nome padrão é o que aparece ao ganhar acesso como root no terminal. No caso o nome usado foi ‘Nokia-N900-02-08′ (ao que tudo indica, com referência à versão do firmware);
Configurando o N900
Antes de iniciar a configuração, é preciso cumprir alguns requisitos:
- Adicionar e habilitar o repositório extras-devel
- Ter acesso como root
O útlimo requisito é ter a biblioteca “libxinerama1″ instalada. Assim, o primeiro passo é instalar a dependência:
apt-get install libxinerama1
Em seguida, baixe o arquivo synergyc. Esse é o Synergy, retirado do Easy Debian. Basta copiar o arquivo, descompactá-lo no computador e copiar para a pasta /usr/bin do N900.
Para exemplificar, será mostrado como fazer isso considerando que o arquivo foi copiado para o cartão de memória do aparelho. Para copiá-lo para a pasta correta foi feito:
root cd /media/mmc1/ tar -vzxf synergyc.targ.gz cp synergyc /usr/bin chmod +x /usr/bin/synergyc
Após copiado não é mais preciso usar o acesso como root para executar o Synergy. Para executá-lo basta fazer:
/usr/bin/synergyc 192.168.0.112
Sendo que no lugar do IP (192.168.0.112) deve ser colocado o IP do computador que está compartilhando mouse e teclado.
Importante: O synergy continuará em execução ainda que o terminal seja fechado ou outro comando seja executado, mesmo usando CTRL+C. Isso é bom por pela possibilidade de fechar a janela ou continuar trabalhando nela. Contudo, o processo continuará em execução ainda que o synergy deixe de ser usado, o que implica em mais recursos de hardware sendo usados e consumo maior de bateria. Para que o synergy deixe de ser usado pelo sistema, abra o terminal e digite:
root killall synergyc
Com a execução do comando, todos os processos do synergyc serão finalizados e o aparelho deixará de usar o mouse e o teclado do computador.
Fazendo o mouse funcionar
Como explicado no post da comunidade do Maemo é preciso associar um ícone como padrão no lugar do que originalmente é definido como transparente. Para isso é sugerido que se baixe o arquivo icons.tar, com alguns ícones disponíveis. Com o arquivo salvo e descompactado, basta escolher uma das opções e copiá-la para a pasta ‘/usr/share/icons/default/cursors’ com o nome transp.
Para o exemplo foi escolhido como cursor o cross, um discreto “+” vermelho, localizado em: ‘usr/share/icons/handhelds/cursors/cross’. Copie o cursor para o cartão do N900. Em seguida, acesse o terminal e digite:
root mv /media/mmc1/cross /usr/share/icons/default/cursors/transp
O que o comando fará é mover o arquivo cross, copiado do pacote de ícones, para a pasta cursors, renomeando-o para ‘transp’, que passará a ser o cursor especificado.
Para fazer todo o processo de configuração do cursor no N900 uma forma é:
root apt-get install wget cd /media/mmc1 wget http://penguinbait.com/icons.tar tar xf icons.tar mv usr/share/icons/handhelds/cursors/cross /usr/share/icons/default/cursors/transp
Por fim, para que o cursor seja ativado e passe a funcionar é preciso fazer uma gambiarra truque: abrir um site com flash e clicar sobre ele, para que o cursor seja ativado. Um problema disso é que o cursor volta a sumir quando o aparelho é reiniciado, sendo necessário abrir o navegador novamente.
Impressões
Como o programa ainda é uma versão ainda incipiente, é possível ver alguns comportamentos indesejados. A seguir são passadas as impressões de uso do synergy no N900 separadas entre mouse e teclado.
Teclado
- O teclado não aceita os acentos. Se eles não forem usados a inserção dos caracteres ocorre bem, mesmo que se digite rapidamente;
- A experiência com jogos foi boa, pelo que foi visto com o Dr. NokSnes.
Mouse
- Após usar o “truque” de acessar uma página com Flash o mouse funciona bem. Dá para usá-lo no dispositivo ao invés do toque. Em alguns momentos, como no navegador, o comportamento não é tão bom. Por exemplo, no Xournal quando o botão do mouse é clicado o que ocorre é semelhante à múltiplos toques. Ao invés de aparecer um ponto no lugar onde se clicou, surge uma linha que vai do canto superior esquerdo ao ponto clicado.
- O scroll do mouse funciona bem nos aplicativos (testado no MicroB, seleção de arquivo e terminal)
- Em alguns momentos o mouse não reconhece bem o clique. Por exemplo, nos campos de texto
Com relação aos problemas notados pelo uso do Synergy no N800 foi possível notar a melhora com relação ao comportamento do teclado. No N800 é comum que o teclado virtual apareça sempre que a tecla ENTER é pressionada. No N900 o funcionamento do ENTER é correto e o teclado virtual não aparece, ainda que o teclado físico esteja fechado.
Gambiarra 2 Dica: ainda que o mouse e o teclado estejam em atividade no N900, a tela irá se apagar como se o dispositivo estivesse sem uso. Para que a tela fique ligada o tempo todo, uma forma é ir em ‘Configurações’, ‘Visualização’ e deixar a opção ‘Ecrã iluminado durante o carregamento’. Assim, basta deixar o N900 ligado na tomada/computador para que a tela fique ligada e o uso dele possa ser feito em conjunto com o computador.
Conclusões
O Synergy oferece um modo interessante e natural de se compartilhar mouse e teclado entre computadores e outros dispositivos. Sua versão no N900 ainda está em estágio inicial, com bugs, formas pouco ‘dignas’ de deixá-lo apto para uso com mouse e sem uma interface simples para configurá-lo. Apesar disso, é possível notar sua utilidade e, sobretudo, capacidade de uso com vários sistemas operacionais disponíveis. Não é infundamentado que se espere uma versão do QuickSynergy para o Maemo 5, uma vez que o Maemo 4 já o possui e que alternativas como o x2x (tema para um outro post) surjam.
Xournal
Algo que logo vem a mente quando se pensa em um tablet é a possibilidade de fazer anotações, desenhos ou criar uma espécie de diário, aproveitando os recursos de uma tela sensível ao toque. No N800/N810 e em dispositivos que possuem o Maemo, um aplicativo que pode explorar esse potencial é o Xournal.
O programa foi criado por Denis Auroux e pode ser executado em distribuições GNU/Linux. Ele é um software livre e, dentro da possibilidade de modificá-lo e distribui-lo, foi portado para o Maemo por Aniello Del Sorbo.
O programa é útil para diversas situações, como fazer anotações durante um evento ou aula, criar observações em fotos (de um quadro, loja, placa, tela de sistema, …) e documentos PDF. Para mostrar de que forma esse aplicativo pode ser útil em atividades de estudantes e profissionais serão revisados seus recursos, incluindo a combinação com uso de câmeras.
Desenhos e anotações
Caneta

Velocidade do cursor altera a fluidez do desenho
Dentro da principal idéia de fazer anotações, o recurso de escrita com a caneta é o mais básico. Além de ter várias opções de cores, com a opção de personalizá-las, há um bom conjunto de recursos complementares que facilitam a criação dos desenhos, adicionam praticidade para modificá-los e reproduzi-los.
Algo que se pode notar ao desenhar (usando o mouse em um computador ou com stylus no N800) é que há uma certa velocidade máxima para permitir que os desenhos tenham o contorno natural dos movimentos. Com uma velocidade alta os “pontos são perdidos” e o trajeto feito é aproximando, tendo como resultado contornos com retas ao invés de curvas.
Régua

Régua para fazer segmentos de reta
Se a intenção é desenhar segmentos de reta ou desenhos que sejam mais precisos, não é necessário passar por inúmeros processos de tentativa e erro ou usar toda a sua coordenação motora para conseguir formas precisas. A opção de régua cria uma linha a partir de um ponto inicial até o ponto de deslocamento do cursor sobre a tela. Conforme o cursor varia sua posição apenas o ângulo e o comprimento variam. A opção serve também para marca texto, deixando a aparência das anotações menos poluídas.
Reconhecimento automático de formas

Reconhecimento de formas para facilitar o desenho
Outra opção que evita a exigência de qualquer capacidade artística ou coordenação motora apurada é o reconhecimento automático de formas. O funcionamento ocorre do seguinte modo: quando um desenho do usuário parecer uma das formas previstas pelo Xournal ele automaticamente o converterá para a forma, com dimensões e inclinações aproximadas ao desenho original. As formas reconhecidas são: segmento de reta, círculo, flechas, triângulos e quadriláteros.
As dicas do desenvolvedor para que as formas sejam obtidas facilmente são:
- Círculos: dar prioridade a conseguir uma forma fechada (que comece e termine no mesmo ponto) ainda que não tenha a circunferência tão precisa. Desenhos muito ovais ou que não sejam fechados não são bem reconhecidos;
- Seta: é melhor levantar a caneta antes de adicionar a indicação de que é uma seta, fazendo duas linhas retas ao final;
- Retângulos compridos: os resultados são melhores, quando os retângulos são muito longos, quando se levanta a caneta antes de fazer um novo lado.
Selecionar desenho
Como o próprio reconhecimento da forma pode ser um pouco frustrante em alguns momentos, o ideal pode ser conseguir desenhar uma forma e utilizar a ferramenta de seleção para multiplicar, redimensionar ou mover a figura. A seleção, no N800/N810 fica um pouco escondida do usuário (um problema que ocorre com várias das ferramentas do Xournal no Maemo 4), podendo ser selecionada em:
- “Menu -> Tools -> Select Retangle
Quando uma área é selecionada, seu conteúdo pode ser facilmente movido (ao clicar e arrastar o retângulo), redimensionado (ao clicar na borda e movê-la) e multiplicado (opções de cópia e cola).

Ferramenta de seleção de formas, com opções de mover e alterar dimensões.
O interessante da ferramenta de desenho é que são influenciados apenas os objetos completamente incluídos na área de seleção. A noção de objeto é obtida pelo fato de um objeto ser formado por apenas uma linha. Assim, todos os traços que estiverem totalmente dentro da área de seleção serão modificados.
Essas opções de modificação são úteis para conseguir fazer desenhos estéticamente bem feitos e em pouco tempo. Por exemplo o desenho de um grafo: faz-se o desenho de um nó, depois várias cópias dele e então as ligações podem ser feitas com a régua ou com o reconhecimento de reta. Com um pouco de prática esse tipo de desenho pode ser feito rapidamente durante uma aula, enquanto o professor explica o conteúdo ou faz o mesmo desenho no quadro.

Uso de reconhecimento de forma, reta e seleção para compor figuras
Inserir/remover espaço
Outra ferramenta útil para quando se quer modificar um desenho com praticidade é a ferramenta de adicionar e remover espaços. Com ela é possível abrir espaço na folha sem ter que selecionar desenhos e movê-los. O mesmo princípio pode ser para remover espaço ou sobrepor duas partes da página sem, necessariamente, ter que combiná-las definitivamente.

Alterar o espaço entre as figuras: ao centro a figura original. Ao lado suas versões com espaço reduzido ou expandido.
Uso da pressão aplicada sobre a tela

Xournal - Sensibilidade à pressão aplicada sobre a tela
Algo interessante que o Xournal oferece é o reconhecimento da variação da pressão aplicada com a stylus sobre a tela para variar a espessura dos desenhos, resultando em uma experiência mais próxima à de escrita de uma caneta sobre o papel. O recurso pode ser ativado em
- Menu -> Options -> Pressure sensitivity
Como pode ser visto, é possível ter uma variação significativa da espessura da linha. Contudo, além de não parecer ser uma prática recomendada exercer muita pressão sobre a tela, o desenho resultante fica com uma aparência menos limpa. Pode ser interessante para o caso de querer passar mais realidade no desenho, mas em geral alterar a espessura padrão da caneta parece ser a opção mais adequada.
Inserir texto

Xournal - Inserção de texto
Para quem não quer escrever usando a caneta e tem uma boa prática em digitar com o teclado virtual ou possui um teclado disponível com o aparelho, é possível inserir texto normalmente. A opção é útil para, além de ter letras precisas e bem formadas, poder editá-las posteriormente. A cor da fonte pode ser escolhida já entre os ícones da tela principal, porém é possível formatar a fonte em
- Menu -> Tools -> Text Font
As opções de formatação incluem alterar fonte, cor, tamanho e estilo (negrito, itátlico ou ambos).
Marcar texto

Marca texto com cores variadas e sobreposição
Uma caneta para marcar texto também está disponível. Com ela é possível pintas áreas, destacar texto ou áreas de desenhos, documentos e figuras. Além de poder variar com relação às cores é possível modificar a espessura em 3 níveis, opção configurável em
- Menu -> Tools -> Highlighter Options
Um ponto interessante é que quando uma nova linha é feita sobre um texto já marcado o conteúdo fica ainda mais forte, permitindo fazer várias camadas, mesmo com cores diferentes, de texto marcado, como ocorreria normalmente com uma marca-texto real.
Borracha
Além de poder especificar a espessura da borracha (fino, médio ou grosso), há opções de modificar o comportamento da borracha para:
- Padrão: funciona como uma borracha convencional, a área pela qual a borracha passa é apagada;
- Apagar linhas: quando a borracha toca uma linha, ela é completamente apagada. Isso é útil para apagar formas completas com apenas um toque;
- Corretor: comumente chamado de “branquinho”, passa uma linha branca sobre o conteúdo, apagando inclusive as linhas da folha ou o conteúdo do plano de fundo.
O que é possível anotar?
Apresentadas as opções de anotação e edição do conteúdo criado, resta saber o que pode ser anotado. Entre as opções estão documentos do próprio Xournal, aplicados com a metáfora de um caderno com folhas de diferentes estilos, ou cópias de tela, fotos e documentos PDF. Para todas as opções podem ser aplicados os recursos supracitados, incluindo com a adição e utilização de camadas, que podem ser exibidas ou ocultadas durante as anotações.
Folhas
A primeira opção são folhas folhas de caderno. Há quatro opções delas:
- Totalmente branco: apenas uma folha branca, sem qualquer detalhe;
- Com linhas horizontais: com um caderno, uma folha branca com linhas horizontais desenhadas, porém, sem qualquer linha vertical;
- Como caderno: Como folhas de um caderno, com fundo branco, linhas horizontais para escrever e uma margem à esquerda;
- Quadrado: com linhas horizontais e verticais que formam quadrados.

Os diferentes tipos de folha exibidos pelo Xournal: branco, linhas horizontais, folha de caderno com margem e quadriculado (da esquerda para a direita e de cima para baixo).
Além do estilo do papel, pode-se configurar o tamanho da folha (A4, letter ou personalizado) e a cor do papel (branco, amarelo, rosa, laranja, azul ou verde). Essas opções podem ser aplicadas a apenas uma folha ou a todas as existentes, permitindo que um documento tenha vários estilos de folha diferentes.
Documentos PDF
Outra opção disponível é anotar documentos PDF. Além de tornar possível que o Xournal funcione como um visualizador de documentos, podem ser feitos desenhos, adição de texto ou destaque de partes importantes. Isso é útil para estudar materiais, acompanhar aulas anotando os slides apresentados pelo professor, entre outros.
Ao anotar um documento PDF as páginas ficam como plano de fundo e as anotações são feitas em camadas superiores. Nenhuma mudança é feita no documento em si. Uma observação importante é que a menos que o arquivo PDF esteja embutido, será preciso copiar o arquivo XOJ e o PDF toda vez que se quiser mudar sua localização em disco, computador ou dispositivo.

Anotação de PDF - Destacar texto, fazer desenhos e comentários. As anotações feitas estão em vermelho e amarelo, com marca texto, caneta, reconhecimento automático de formas e redimensionamento do círculo. O documento anotado é o Manual do N900, fornecido pela Nokia.
Importante: a opção de embutir um documento em PDF ou imagem não parece estar presente no Xournal para Maemo. Para evitar problemas em ter que copiar o documento PDF ou imagem junto com o arquivo XOJ toda vez que for mudar seu local de armazenamento, é interessante criar o documento no computador já com o conteúdo embutido.
Imagens
A anotação de imagens é outro recurso útil do Xournal. Criar uma nova camada sobre um desenho já feito, fazer anotações e planejamentos em fotos reais ou mesmo em captura de tela do computador. Para o último caso, o próprio Xournal fornece uma forma de capturar a imagem do computador ou do N8x0. Assim como ocorre com o PDF, as imagens não são alteradas. Além disso, a menos que se embuta a imagem no arquivo, será preciso copiar também os arquivos de imagem junto com o XOJ para mudar sua localização.

Anotações em imagens. As anotações feitas consistem nos círculos e comentários feitos em vermelho, verde e amarelo. Além deles foi usada uma borracha para apagar a imagem de fundo e feita a inserção de caracteres. A imagem anotada é cópia de tela do jogo Diablo 2.
Salvar resultados
Após fazer as anotações é possível salvar o arquivo na extensão padrão do Xournal, o formato xoj, ou exportar para PDF, como um documento único. A segunda opção já embute as imagens relacionadas no documento, convertendo-as para o formato PNG. Porém, no processo é possível notar que a qualidade das fotos cai e que as cores das imagens mudam um pouco. Ainda assim, é um recurso útil para mostrar os resultados das anotações em computadores e dispositivos que não possuem o Xournal.
Extensões de funcionalidades
Para a versão desktop é há uma série de patches que podem ser aplicados ao Xournal para estender suas funções. Cada extensão dessas é criada por desenvolvedores e, dependendo do sucesso de sua nova atribuição, pode integrar uma versão futura do Xournal, a exemplo do que aconteceu com as funções de reconhecimento de forma, uso de pressão e mudar cores das páginas. A versão para o Maemo foi portada incluindo essas funções.
A lista de patches e discussões relacionadas pode ser acessada para ter acesso aos recursos, que incluem a possibilidade de mover a barra de rolagem para a esquerda, para que canhotos não obstruam a visão da tela ao mover a barar de rolagem (ok, sou canhoto, por isso fiz questão de colocar essa) e a função de pular pra a próxima página com alguma anotação, útil para revisar apenas o conteúdo com observações e modificações feitas.
Uma extensão oferecida, que não lida de forma integrada ao Xournal, é a de converter imagens já prontas em arquivos do Xournal (no formato XOJ). Isso é útil para converter anotações feitas em papel, em programas de edição de imagem ou em fotos para o Xournal, permitindo que este lide com as anotações como se tivesse sido feitas nele.. Por exemplo, em uma aula o único recurso disponível é um celular com um programa básico ao estilo paint. Esse programa pode ser usado para fazer anotações e desenhos, que posteriormente podem ser salvos em uma imagem e convertida para o arquivo do Xournal. Os desenhos são reconhecidos como imagens feitas pela caneta do Xournal. No aplicativo testado as imagens, por mais que sejam coloridas, são transformadas em curvas em preto e branco.
A ferramenta funciona bem para documentos que possuem um fundo com um tom único e que deixam claro o que é o desenho. Pelos testes realizados com fotos de anotações o programa passou mais de 10 minutos processando a imagem e não concluiu a transformação.
Uma opção para trabalhar em conjunto com fotos, que posteriormente podem ser anotadas no Xournal ou serem convertidas pela extensão anterior, são serviços que fazem digitalização de documentos fotografados. Exemplos de serviços são o ScanR e o Qipit. O primeiro serviço deixou de ser uma opção gratuita e oferece bons recursos para tratar fotos de documentos, cartões de visita e lousas. O segundo continua sendo uma opção gratuita, apesar de não parecer um pouco limitado com relação ao primeiro. Nos testes realizados o Qipit não deixava claro quando algum erro ocorria, como pelo envio de um formato de imagem não suportado, e não conseguiu concluir o processamento de todas as imagens. Fotos de anotações feitas em uma folha branca não foram concluídos, enquanto foto de livros e manuais tiveram o resultado apresentado.

Serviços de digitalização de documentos fotografados. A página fotografada é parte do Manual do Nokia E62.
A combinação de câmera fotográfica e equipamento com o Xournal (outro aplicativo de anotações) é uma boa opção para organizar documentos, fazer estudos e registrar informações. Os serviços de digitalização oferecem uma interface Web e a opção de enviar fotos por e-mail para que documentos sejam processados. Com isso é possível tirar uma foto e obter o documento resultante em poucos minutos, já podendo adicioná-lo ao aplicativo de anotações. Há outros serviços com propostas semelhantes, como o serviço de digitalização da Google, ainda em fase inicial, mas que já oferece bons resultados, e o Evernote, que apesar de ter a opção de ter uma conta paga, oferece alguns serviços gratuitamente.
O futuro do Xournal no Maemo
Uma nova versão do Xournal para o Fremantle (Maemo 5) já está disponível, ainda em versão alpha. Pela interface apresentada, ela resolve parte dos problemas apresentados no Xournal para Maemo: falta de atalhos, na tela principal, para recursos mais usados, como handtool (para navegar na página sem usar a barra de rolagem), recortar e colar.
Alternativas ao Xournal
O Xournal foi criado como uma alternativa a aplicativos já existentes como o Windows Journal, Note Lab, Gournal e Jarnal. Para ter uma ferramenta de anotação em outros sistemas operacionais, como o Windows, essas são algumas das opções.
Considerações finais
O Xournal é o tipo de aplicativo que adiciona um grande potencial de uso de aparelhos como o N800. Adicionando um pouco de criatividade, como o uso de câmeras e outras formas de entrada de conteúdo, que podem ser convertidas ou embutidas no aplicativo, é possível ter aplicações práticas que podem ser usadas no dia-a-dia e em diferentes áreas, irrestritas à educação. O uso do programa em dispositivos com mais recursos, como tablets com maior poder de processamento e câmera com maior qualidade, como o aguardado N900, pode ampliar ainda mais essas possibilidades.
Referências
- Xournal no Maemo
- Xournal no Sourceforge
- Responsável pelo porting do Xournal para o Maemo










