Particionamento: Teoria

Uso de cartões no N800
Ao comprar um cartão de memória, disco rígido, pendrive ou outro dispositivo de memória de massa o mais comum é ter uma única partição que oferece toda a capacidade de armazenamento. Pode acontecer pior: o dispositivo vir sem qualquer partição. De acordo com a finalidade de uso do dispositivo, é interessante modificar seu estado original de forma que ele separe o conteúdo armazenado em diferentes unidades lógicas. Esse processo de divisão do espaço de armazenamento é chamado particionamento.
O particionamento pode ser aplicado para diferentes dispositivos de armazenamento e para uso em computadores e outros dispositivos. De modo geral, algumas das vantagens que podem ser obtidas são:
- Separar dados do sistema e dados do usuário: se o sistema operacional tem algum problema ou precisa ser alterado de alguma forma, apenas sua partição é modificada, preservando os dados do usuário;
- Instalar diversos sistemas operacionais: permitir que mais de um sistema seja instalado, mantendo o isolamento dos dados entre eles e usando a estruturação de armazenamento adequada;
- Obter características diferentes para o gerenciamento: é possível ter uma partição que valorize velocidade de leitura e gravação enquanto outra garante que os dados não sejam perdidos em caso de falhas.
Tratando de cartões e memórias de dispositivos com o Maemo (usado no N800, N810 e N900), há diversas situações em que o particionamento ou mudança de sistema de arquivos podem ser úteis, como:
- Instalar mais de um sistemas operacional: Ter ao mesmo tempo mais de um sistema como o Maemo, Mamona, Mer, MeeGo e Android;
- Clonar o sistema para o cartão: Ter uma cópia executável do sistema instalado na ROM para a ter um sistema de alternativo em caso de falha ou para tirar proveito da maior capacidade do cartão para instalar programas;
- Montar uma organização diferente de arquivos: separar arquivos em divisões diferentes dos cartões, para organização dos dados, uso por sistemas diferentes ou outras finalidades;
- Preparar o cartão para receber a instalação de programas: utilizar o espaço do cartão para a instalação de programas, livrando-se do limite atribuído originalmente ao Maemo na memória ROM;
- Criar espaço para que um sistema operacional o reconheça como pendrive: o cartão em uso pelo N800 pode ser reconhecido por diferentes sistemas operacionais, incluindo o Windows, como um pendrive caso esteja formatado com FAT16 ou FAT32;
- Criar área de memória virtual: criar uma partição SWAP que pode ser utilizada como memória RAM e assim permitir que mais programas sejam abertos ao mesmo tempo (com uma queda de desempenho).
Além das necessidades de particionamento, pode ser necessário fazer apenas a formatação do cartão para apagar suas informações. Antes de partir para a prática, que será vista em um post futuro, serão explicados alguns conceitos relacionados a partições e sistemas de arquivos.
Partições
Partições são formas de dividir o espaço de um dispositivo de armazenamento. Cada partição tem associado, direta ou indiretamente, um sistema de arquivos, que é a forma pela qual os dados serão gravados. A variação de uso de partições e de sistemas de arquivos pode ser influenciada por diversas razões, que incluem o sistema operacional utilizado, o tipo de dispositivo/mídia e a finalidade de uso.
De acordo com Bruno Torres, as partições podem ser classificadas como:
- Primária: são partições que podem ser usadas para instalar um sistema operacional. Em um disco pode existir no mínimo 1 partição primária e no máximo 4. Se 4 partições primárias forem criadas, nenhuma outra, primária ou não, poderá ser adicionada;
- Estendida: a partição estendida é um tipo especial de partição primária que permite que outras partições secundárias (chamadas partições lógicas) sejam criadas. Assim, caso seja necessário mais do que 4 partições sejam criadas em um disco, basta criar 3 primárias e 1 estendida, sendo que a última poderá conter mais do que uma partição lógica;
- Lógica: como uma forma de ir além das 4 partições primárias que podem ser atribuídas a um disco, é possível criar até 16 partições lógicas dentro de uma partição estendida.
Assim, em um disco pode-se criar 3 partições primárias, 1 estendida e 16 partições lógicas, num total de 19 partições que serão diferenciadas pelo sistema para a gravação de arquivos. A partição estendida não será considerada, apenas as lógicas que estarão nela.
Sistemas de Arquivos
Outra informação importante a ser definida com relação às partições é o sistema de arquivos que será utilizado. Existem vários sistemas de arquivos, como FAT16, FAT32, ext2, ext3 e NTFS . O que define qual deles utilizar é o sistema operacional a ser utilizado, as características da mídia e o objetivo de uso. Por exemplo, o Windows XP só reconhece FAT e NTFS, então escolher um desses sistemas de arquivos é importante para fazer sua instalação.
Outros fatores que podem ser determinantes são limitações de armazenamento, como o tamanho máximo de uma partição ou arquivo, e a necessidade de ter uma característica específica, como atribuição de permissões de acesso, a capacidade de manter um registro das ações feitas no disco (journaling), para facilitar a recuperação em caso de falhas, e a menor influência por problemas de fragmentação de dados. A variação dessas características pode ser notada na tabela apresentada abaixo (mais detalhes em Comparison of File Systems).
| Sistema de Arquivos | Tamanho Máximo | Journaling | Controle de Acesso | ||
|---|---|---|---|---|---|
| Nome de Arquivo | Arquivo | Volume | |||
| FAT16 | 255 com UTF-16 | 2GB | 2GB | Não | Não |
| FAT32 | 255 com UTF-16 | 4GB | 8TB | Não | Não |
| NTFS | 226 | 16EB | 16EB | Sim | Sim |
| EXT2 | 255 | 16GB a 2TB | 2TB a 32TB | Não | Sim |
| EXT3 | 255 | 16GB a 2TB | 2TB a 32TB | Sim | Sim |
| EXT4 | 255 | 16GB a 16TB | 1EB | Sim | Sim |
Particionamento para o N800/N810
Para exemplificar a importância de se levar em consideração o número de partições e os sistemas de arquivos utilizados pode ser dado o exemplo de particionamento de um cartão para uso no N800, comumente usado para clonar o sistema operacional – uma opção comum para permitir a instalação de vários aplicativos sem se limitar aos 256MB de espaço disponíveis no N800. Uma configuração que pode ser utilizada para um cartão é:
- 1 Partição com FAT16 ou FAT32: reconhecida pelo sistema como o cartão interno, e que é utilizada como área de armazenamento quando o N800 é ligado ao computador como dispositivo de armazenamento. A utilização de um desses formatos é importante para que a partição seja reconhecida por diversos sistemas operacionais, incluindo GNU/Linux, MacOS e Windows. É comum encontrar partições com tamanhos que variam entre 256MB e 1GB. Esse espaço funciona como uma área de transferência de dados, ou pendrive, utilizado a partir do N800.
- 1 Partição SWAP: permite usar o cartão como extensão da memória principal para programas em uso, permitindo que mais aplicativos sejam abertos ainda que a memória RAM seja totalmente usada, mas implicando em uma lentidão maior. Normalmente essa partição é criada com tamanhos entre 128MB e 256MB.
- 1 Partição ext2 ou ext3: é criada de forma a permitir melhor integração com sistemas operacionais GNU/Linux, tendo características importantes como atribuição de restrições e privilégios de acesso, para atender a requisitos de segurança. Esse tipo de partição normalmente é usado para instalar ou clonar o Maemo ou arquivos e aplicativos sejam passados para ele, mantendo as configurações do sistema.
Ext2 e ext3: integridade do cartão vs integridade dos dados
A principal diferença entre os sistemas de arquivo ext2 e ext3 é o suporte a journaling existente apenas no segundo formato. O journaling é um recurso que diminui a possibilidade de se perder dados e alterações feitas no dispositivo de armazenamento. Qualquer alteração a ser realizada no disco é registrada anteriormente em um “arquivo de log” (o journal). Assim, caso ocorra algum tipo de problema durante as ações (como desligamento do sistema por queda de energia ou falha), existe um registro das ações que deveriam ser feitas, permitindo que o estado original seja recuperado ou que todas as alterações que deveriam ser feitas, pelo menos as registradas no log, sejam realizadas.
Apesar da vantagem em ter maior confiança na integridade dos dados, o uso de journaling implica no aumento de gravações feitas no dispositivo de armazenamento. Para cartões de memória isso é uma desvantagem porque esse tipo de mídia tem um ciclo estimado de vida de 100.000 gravações. Assim, diminuir a quantidade de gravações nos cartões é uma medida interessante para aumentar a vida útil do dispositivo e o tempo estimado para considerá-lo um disquete não confiável.
O ext2 pode ser a melhor escolha caso o cartão seja utilizado para guardar informações que não são críticas e que podem ser recuperadas por outras fontes. Por exemplo, um cartão que seja utilizado para guardar músicas ou documentos de baixa importância que têm cópias em computadores ou outros locais. Se ocorrer algum problema e algum arquivo for perdido, basta fazer uma nova cópia da fonte.
O ext3 deve ser mais útil quando o aparelho é usado para gerar ou guardar dados que fiquem guardados apenas nele ou que em outro momento poderão ser salvos em outros locais. Assim, pode ser mais interessante assegurar que os dados estejam íntegros até que se possa fazer a replicação para outros lugares ao invés de se preocupar com o tempo de vida do cartão. Afinal, um cartão de memória não é o lugar mais indicado para deixar dados importantes e é sempre bom fazer backup.
Conclusões
É comum manter uma única partição para o uso de cartões em celulares, câmeras e outros dispositivos. Muitas vezes essa mesma situação ocorre com o uso de pendrives e HDs, sem que o usuário faça alguma alteração na forma como os dados estão organizados no meio de armazenamento. No entanto, a partir do momento que se cria a necessidade de separar dados de aplicações, ou de fazer um tratamento diferenciado para o dispositivo de armazenamento, surge a necessidade de se lidar com partições.
Neste primeiro post foram abordados os aspectos teóricos do particionamento, como motivos para fazê-lo e critérios a serem aplicados no momento de realizá-lo. Em um próximo post será exibido o particionamento de um cartão no N800 e a forma de se fazer o mesmo processo em diversos sistemas operacionais, incluindo Windows, Ubuntu e Maemo 5 (no N900).
Como usar Java (SE e ME) no Maemo (N800, N810 e N900)
Um dos melhores recursos dos smartphones e mesmo de telefones em geral é a capacidade de executar arquivos Java destinados a dispositivos móveis, desenvolvidos para a plataforma Java Micro Edition, popularmente conhecida como Java ME . Há diversos aplicativos desenvolvidos para essa plataforma, que pode ser utilizada por uma varidade de aparelhos, dos mais simples aos topo de linha. Dentre os exemplos de aplicativos estão o Opera Mini, Google Maps, Gmail Mobile, clientes para Twitter e jogos.
Além da quantidade de aplicativos existentes, o que torna importante ter um aparelho que possa executar estes aplicativos é o desenvolvimento feito para economizar recursos do dispositivo, como uso de memória e o tráfego de dados. Ao invés de acessar aplicativos acessíveis por meio de navegadores, e com isso ter que baixar os dados e a formatação das páginas, é possível transferir apenas os dados que são necessários, já que a apresentação está disponível pelo programa em execução. Com isso é possível ganhar em velocidade de execução e em economia de dados, evitando que se ultrapasse a quantidade prevista de dados em planos para dispositivos móveis.
Para se ter uma noção, ao acessar o Free Bird e depois abrir a página do (P)Review do N900, os valores obtidos com o Firefox e o Opera Mini, ambos no N900, foram:
| Download | Upload | Total | |
|---|---|---|---|
| Firefox | 4,204 MB | 376,797 KB | ~4,5 MB |
| Opera Mini | 397,442 KB | 19,816 KB | ~0,5 MB |
Por esses fatores, uma das grandes necessidades existentes para o N800 era a possibilidade de executar aplicativos da plataforma Java ME. A falta dessa possibilidade foi entendida, apesar de certa resistência, pelo fato de o N800 não ser um telefone e não ter acesso a rede GSM. Porém, o uso do aparelho em conjunto com um telefone, especialmente pela qualidade da tela e seu poder de hardware, mantém essa necessidade.
Além do caso do N800 e do N810, o N900, apesar de já ser telefone, ainda não apresenta uma opção nativa para executar aplicativos da plataforma, o que é um problema pelos mesmos aspectos supracitados. A solução para boa parte desses problemas apareceu recentemente em um blog russo, sendo apresentado como uma forma de executar o Opera Mini no N900. Contudo, a solução apresentada é mais completa do que pode se notar, permitindo a execução de aplicativos JAD, feitos para dispositivos móveis, e arquivos Java feitos para desktop. Mais do que isso, essa solução funciona tão bem no N800 (e por consequência no N810) quanto no N900. A forma de utilizá-los nos aparelhos será mostrada agora.
Instalação no Nokia N900 (Maemo 5 – Fremantle)
Requisitos
- Ser root (instalar o Rootsh):
apt-get install rootsh
- Ter um aplicativo para descompactar arquivos zip:
apt-get install zip unzip
- Ter um editor de texto (usado o PyGTKEditor):
apt-get install pygtkeditor
Instalação
A instalação no N900 foi originalmente postada aqui e pode ser vista em suas versões traduzidas automaticamente para inglês e português. Para esse exemplo a instalação será feita totalmente no N900, incluindo o processo de baixar e descompactar o arquivo. Para ver detalhes de como proceder com o auxílio de um computador, basta olhar os detalhes do processo feito para o N800, que muda apenas com relação ao diretório usado.
- Baixe o arquivo e o salve no telefone. Para o exemplo o arquivo será salvo na raiz do cartão de memória;
- Abra o terminal;
- Acesse a pasta onde o arquivo foi salvo:
cd /media/mmc1
- Descompacte o conteúdo do arquivo:
unzip java_nokia_n900_maemo5_opera_mini.zip
- Obtenha acesso como root:
root
- Copie a pasta JRE (localizada dentro do arquivo descompactado) para o diretório /home/user:
cp /media/mmc1/jre /home/user/ -r
- Apague a pasta anterior:
rm -r /media/mmc1/jre
- Entre na pasta /home/user/jre/bin:
cd /home/user/jre/bin
- Confira permissão de execução para os arquivos java e opera.sh:
chmod +x java chmod +x opera.sh
- Execute o arquivo opera.sh:
./opera.sh
Instalação no N800 e N810 (Maemo 4 – OS2008)
Requisitos
- Ser root (instalar o Rootsh):
apt-get install rootsh
- Ter um aplicativo para descompactar arquivos zip:
apt-get install zip unzip
- Ter um editor de texto (foi usado o PyGTKEditor):
apt-get install pygtkeditor
- No computador, faça o download do arquivo e o descompacte;
- Ligue o N800/N810 ao computador e transfira a pasta para o cartão. A partição usada para o exemplo foi a usada pelo Windows, com o sistema de arquivos FAT.
- Entre no terminal e ganhe acesso como root:
root
- Copie a pasta do cartão para o diretório /
cp -r /media/mmc2/jre /
- Entre na pasta copiada
cd /jre/bin
- Atribua permissões de execução para os aplicativos java e opera.sh
chmod +x java chmod +x opera.sh
- Execute
./opera.sh
Usando o MicroEmulator
O processo de instalação é feito com acesso como superusuário (root). Com o término da configuração não é necessário se manter como superusuário para executar o script. Este, por sua vez, invoca a execução do MicroEmulator, um emulador de J2ME que permite rodar arquivos destinados a dispositivos móveis. O processo é feito originalmente para que o Opera Mini já esteja pronto para ser executado, mas permite que outros aplicativos sejam executados com facilidade.
Para executar Opera Mini com o MicroEmulator já aberto é preciso:
- Invocar o aplicativo: Clique duas vezes sobre o opera mini;
- Na página aberta, role até em baixo e clique em Accept.
Para usar a versão mais recente do Opera Mini, acesse: http://www.opera.com/mini/next/download/ e escolha o arquivo JAD da opção “For Java-enabled phones”. Essa versão, além de ser visualmente melhor trabalhada, permite o uso de abas e dá acesso a um teclado virtual.
Algumas observações que podem melhorar o uso do MicroEmulator:
- Para adicionar um aplicativo no MicroEmulator é preciso especificar a URL de origem do JAD ou copiar para o aparelho os arquivos JAD e JAR, indicando o primeiro ao emulador;
- Para melhorar a visualização dos programas no MicroEmulator, clique sobre o ícone resize e dê ok para o valor mostrado. Com isso serão exibidos os botões da parte inferior da janela, como no caso do Opera Mini;
- Os botões de navegação de telefones funcionam com as setas e com o ENTER. Para o caso dos dois botões de acesso às duas opções apresentadas no canto inferior da tela o acesso é configurado para as telas F1 e F2. Caso o aparelho seja usado com o modo USB Host, synergy ou outra forma de acesso com teclado, o uso das teclas melhora a navegação e a resposta dos programas.
Licença de uso
Algo que não pôde deixar de ser notado ao executar o arquivo foi a mensagem informando que o produto poderá ser avaliador por 90 dias:
“Java SE Embedded 90 Evaluation Version
Use command ‘java -version’ to view days remaining in evaluation period”
Essa mensagem é exibida pelo Java SE Embedded, invocado como “java”, dentro do script opera.sh e se destina aos desenvolvedores que utilizam a API. O aplicativo é gratuito para desenvolvedores e só passa a ser paga quando este, ou a empresa que o contrata, deseja passar da fase de desenvolvimento para a de implantação do aplicativo, quando se espera que obtenha lucros.
Interessado em saber como a Sun (agora a Oracle) vê o uso do aplicativo por usuários comuns, encaminhei um e-mail perguntando sobre licença e custos para uso individual, sem intenção de aplicá-lo para desenvolvimento. Tendo a agradável surpresa de ser respondido em menos de 1 hora, tive como resposta:
“You can continue to use the 90 day evaluation version of Java SE Embedded at no cost. At the end of the 90 days, you can simply download another copy, again at no charge. There are no limits to the number of times that you download and install the JVM to a single device. At this time, we do not sell individual copies of the software – expiration free copies are only available under a volume license agreement.”
Resumindo, o funcionário da Oracle indica que ao fim dos 90 dias de avaliação seja feito um novo download do aplicativo que durará outros 90 dias. Ou seja, exceto pelo trabalho de fazer o download periodicamente, ele é gratuito e pode ser usado sem que se infrinja a lei.
Executando aplicativos Java para Desktop (J2SE)
Como dito antes, a forma como o arquivo é oferecido se destina à execução do MicroEmulator já configurado para a execução do Opera Mini. Contudo, o pacote abre a possibilidade de execução de outros arquivos e contém a versão do Java SE for Embedded, uma versão da plataforma Java que oferece recursos mais avançados do que a J2ME e que se destina a dispositivos embarcados, normalmente com maior poder de processamento.
Considerando a instalação já feita do aplicativo, tudo o que se precisa fazer é executar o comando java a partir da pasta jre/bin. Como exemplo foi executado o programa ArgoUML. O processo consistiu em:
- Baixar o arquivo do ArgoUML no N800 ou no N900 e descompactá-lo;
- Executar o comando java referenciando o arquivo argouml.jar:
./java -jar /media/mmc1/argouml-0.28.1/argouml.jar
O arquivo demora um pouco para ser aberto. Sua abertura leva pouco menos de 3 minutos para o N800 e 1 minuto e 30 segundos para o N900. Após sua conclusão a fluidez da execução é natural e sem travamentos. O único incômodo é ajustar a interface de forma mais apresentável, escondendo menus de propriedades e deixando à mostra a tela de criação dos modelos e diagramas. Após a primeira organização das janelas, a configuração é preservada em utiliações posteriores do programa.
Desempenho do Java
Algo importante a ser ressaltado é o desempenho geral do java nos aparelhos. Ao contrário do que ocorre ao executar o EasyDebian, a execução do Java for Embedded limita o uso de RAM à quantidade disponível. Nos testes realizados a quantidade de memória alocada para programas foi de 24MB, o que é ótimo inclusive para o N800 e o N810, que contam com 128 RAM e não precisam usar memória virtual (em SWAP), deixando o aparelho lento. A carga de processamento chega ao topo em alguns momentos, mas ainda assim dentro de um comportamento aceitável.
Na Figura da subseção anterior é possível notar quanto de memória é utilizado. Mesmo com o programa para desktop, o consumo é baixo.
Considerações Finais
A possibilidade de uso de aplicativos em Java, tanto destinados a dispositivos móveis quanto para desktop, para aparelhos com Maemo é interessante porque acrescenta uma grande quantidade de aplicativos com potencial de uso no sistema. O fato de executar fora do EasyDebian garante um desempenho melhor e ainda assim consegue suportar a execução de aplicativos feitos para computadores.
A compatibilidade com aplicativos não é total. O processo exige que se use arquivos JAD e ainda assim alguns dos programas não puderam ser utilizados. Para os casos em que eles são aceitos, a experiência de uso foi boa e se mostrou equivalente à execução do Java ME no computador.
Uma outra opção para Java no N900 é o projeto OpenJDK. Um dos resultados já obtidos com isso foi o uso do Apache Tomcat no N900, que serve como servidor Web para a execução de servlets e páginas JSP, além de outras possibilidades, como serviços Web, com o uso de outras bibliotecas.
Referências e Leituras Relacionadas
http://maemos.ru/2009/12/20/java-nokia-n900-maemo-5-opera-mini/
N800 + BlueMaemo + USB Host = acessórios bluetooth para N900, Playstation 3, computadores e gadgets

BlueMaemo para o Maemo 4 (0S2008)
O BlueMaemo é um aplicativo disponível para o Maemo (OS2008 e Fremantle) que permite que o tablet (N800, N810 ou N900) controle outros equipamentos que aceitem o perfil HID (celulares, computadores, video games, etc.). Em sua interface são oferecidas opções para controlar outros dispositivos: mouse, teclado, controlador de apresentações, controle remoto de mídia ou controle de video game. O controle é feito com o toque na tela do N800/N810/N900 ou, no caso do Fremantle, pode ser com o uso de acelerômetro.
O que alguns usuários do BlueMaemo talvez não saibam é que uma vez que o programa tenha estabelecido a conexão com outro dispositivo/máquina os periféricos de entrada (restritos aos que inserem caracteres ou indicam movimento) também podem ser usados para controlá-lo. Ou seja, se você utiliza o N800 para digitar em um computador e o tablet estiver usando o modo USB Host, com um teclado USB ligado, ao digitar no teclado o texto aparecerá também na máquina controlada.

Funcionalidades do BlueMaemo em suas versões para N800/N810 e N900
Isso te interessou? Tomado pela súbita empolgação de descobrir algo novo, foram testadas com sucesso: Ligar o N800 no Synergy, conectá-lo ao N900 com o BlueMaemo e fazer o mouse e o teclado do computador controlarem o N900! Mais inútil uma opção testada? Se o N900 não aceitar um dispotivo que o N800 aceita, basta usar o BlueMaemo. Sem ter o wiimote configurado ou pareado no N900, o controle do Wii foi ligado ao N800 e passou a funcionar para o N900, permitindo usar direcionais e botões. O Playstation 3 foi pelo mesmo caminho, sendo controlado pelo N800, que estava ligado ao wiimote. Por “silogismo hipotético”, o wiimote acabou controlando o PS3.
O interessante disso é que o N800 vira uma ponte de acesso de entre os acessórios que aceita e os dispositivos que controla. Para fechar a lista de desculpas para manter o N800 mesmo tendo um N900 cenários de uso para o N800 como adaptador bluetooth de acessórios: o N800 é um mobile companion ótimo: possui duas entradas para cartão SD (com adaptadores a mini e micro também), potencialmente aceita diversos dispositivos bluetooth e USB, tem boa autonomia de bateria e uma tela grande e com boa resolução. Se ele não for usado para visualizar sites ou outros conteúdos, pode ser usado para fornecer acesso cartões e pendrives ou servir para adaptar periférios.
Para exemplificar esse uso do BlueMaemo criamos um vídeo no qual o N800, conectado a um teclado USB, controla o N900. O processo envolve conectar os aparelhos pelo BlueMaemo e então ativar o modo USB host, ligando o teclado USB posteriormente.
Terminada a já longa e insistente fase de motivação, vamos à parte do “como fazer”. O primeiro passo é configurar o modo USB Host do N800/N810 e aumentar o número de acessórios que podem ser usados pelo aparelho. Esse modo é útil porque permite que se use um teclado ou mouse USB, o que pode ser útil para digitar textos longos ou passar longas horas de diversão trabalho no aparelho. O N900, infelizmente, não possui essa função suportada pelo hardware. Com isso, para os donos do N800 e do N810 o aparelho pode servir como uma interface para vários acessórios que não são suportados pelo equipamento controlado, como:
- Teclados bluetooth HID e SPP como o SU-8W e o BK-100 respectivamente;
- Mouse e teclado USB;
- Controle de video game (wiimote
, controle do PS3
ou zeemote
).
Para a possibilidade de usar mouse e teclado USB (além de pendrives e até modem 3G, com uma alimentação externa e um pouco de trabalho de configuração) é preciso:
- Instalar o programa USB Control;
- Abrir o programa e selecionar a opção “Host”;
- Logo após, basta ligar um adaptador miniUSB a um adaptador USB fêmea fêmea e este ao periférico desejado;
- Apesar de aparecerem algumas mensagens de erro informando que o dispostivo não foi aceito, ele estará funcionando.
O próximo passo é configurar o BlueMaemo. Os passos resumidos são (mais detalhes podem ser vistos no blog do autor o Valério Valério):
- Ligue o bluetooth do equipamento a ser controlado e deixe-o em modo visível;
- Abra o BlueMaemo (o bluetooth é ligado automaticamente) e escolha a opção conectar;
- Escolha a equpamento a ser controlado e faça o pareamento;
- Use algumas das opções de controle para verificar o correto funcionamento do BlueMaemo.
Para o N800/N810 algumas opções de controle são usar o modo usb host, synergy, teclado bluetooth (HID e SPP) e wiimote.
O uso do BlueMaemo e do modo USB Host (ou outro acessório Bluetooth) é feito pela utilização dos dois ao mesmo tempo. O processo de configuração se resume a conectar o BlueMaemo e configurar algum dispositivo (teclado USB ou Bluetooth, mouse, controle, etc.).
Os passos para utilização do BlueMaemo e do modo USB Host foram bem superficiais, por exigirem um post à parte para cobrir seus detalhes e testes de compatibilidade. Fica a promessa de que faremos um guia de configuração desses aplicativos e do uso das opções que não foram citadas dentro do próprio Free Bird. Além disso, logo serão coloadas as formas de se configurar o synergy e os teclados bluetooth para o N900. Estamos saindo da inércia (: .

N800 usando mouse e teclado USB com o USBControl e BlueMaemo








