Como usar Java (SE e ME) no Maemo (N800, N810 e N900)
Um dos melhores recursos dos smartphones e mesmo de telefones em geral é a capacidade de executar arquivos Java destinados a dispositivos móveis, desenvolvidos para a plataforma Java Micro Edition, popularmente conhecida como Java ME . Há diversos aplicativos desenvolvidos para essa plataforma, que pode ser utilizada por uma varidade de aparelhos, dos mais simples aos topo de linha. Dentre os exemplos de aplicativos estão o Opera Mini, Google Maps, Gmail Mobile, clientes para Twitter e jogos.
Além da quantidade de aplicativos existentes, o que torna importante ter um aparelho que possa executar estes aplicativos é o desenvolvimento feito para economizar recursos do dispositivo, como uso de memória e o tráfego de dados. Ao invés de acessar aplicativos acessíveis por meio de navegadores, e com isso ter que baixar os dados e a formatação das páginas, é possível transferir apenas os dados que são necessários, já que a apresentação está disponível pelo programa em execução. Com isso é possível ganhar em velocidade de execução e em economia de dados, evitando que se ultrapasse a quantidade prevista de dados em planos para dispositivos móveis.
Para se ter uma noção, ao acessar o Free Bird e depois abrir a página do (P)Review do N900, os valores obtidos com o Firefox e o Opera Mini, ambos no N900, foram:
| Download | Upload | Total | |
|---|---|---|---|
| Firefox | 4,204 MB | 376,797 KB | ~4,5 MB |
| Opera Mini | 397,442 KB | 19,816 KB | ~0,5 MB |
Por esses fatores, uma das grandes necessidades existentes para o N800 era a possibilidade de executar aplicativos da plataforma Java ME. A falta dessa possibilidade foi entendida, apesar de certa resistência, pelo fato de o N800 não ser um telefone e não ter acesso a rede GSM. Porém, o uso do aparelho em conjunto com um telefone, especialmente pela qualidade da tela e seu poder de hardware, mantém essa necessidade.
Além do caso do N800 e do N810, o N900, apesar de já ser telefone, ainda não apresenta uma opção nativa para executar aplicativos da plataforma, o que é um problema pelos mesmos aspectos supracitados. A solução para boa parte desses problemas apareceu recentemente em um blog russo, sendo apresentado como uma forma de executar o Opera Mini no N900. Contudo, a solução apresentada é mais completa do que pode se notar, permitindo a execução de aplicativos JAD, feitos para dispositivos móveis, e arquivos Java feitos para desktop. Mais do que isso, essa solução funciona tão bem no N800 (e por consequência no N810) quanto no N900. A forma de utilizá-los nos aparelhos será mostrada agora.
Instalação no Nokia N900 (Maemo 5 – Fremantle)
Requisitos
- Ser root (instalar o Rootsh):
apt-get install rootsh
- Ter um aplicativo para descompactar arquivos zip:
apt-get install zip unzip
- Ter um editor de texto (usado o PyGTKEditor):
apt-get install pygtkeditor
Instalação
A instalação no N900 foi originalmente postada aqui e pode ser vista em suas versões traduzidas automaticamente para inglês e português. Para esse exemplo a instalação será feita totalmente no N900, incluindo o processo de baixar e descompactar o arquivo. Para ver detalhes de como proceder com o auxílio de um computador, basta olhar os detalhes do processo feito para o N800, que muda apenas com relação ao diretório usado.
- Baixe o arquivo e o salve no telefone. Para o exemplo o arquivo será salvo na raiz do cartão de memória;
- Abra o terminal;
- Acesse a pasta onde o arquivo foi salvo:
cd /media/mmc1
- Descompacte o conteúdo do arquivo:
unzip java_nokia_n900_maemo5_opera_mini.zip
- Obtenha acesso como root:
root
- Copie a pasta JRE (localizada dentro do arquivo descompactado) para o diretório /home/user:
cp /media/mmc1/jre /home/user/ -r
- Apague a pasta anterior:
rm -r /media/mmc1/jre
- Entre na pasta /home/user/jre/bin:
cd /home/user/jre/bin
- Confira permissão de execução para os arquivos java e opera.sh:
chmod +x java chmod +x opera.sh
- Execute o arquivo opera.sh:
./opera.sh
Instalação no N800 e N810 (Maemo 4 – OS2008)
Requisitos
- Ser root (instalar o Rootsh):
apt-get install rootsh
- Ter um aplicativo para descompactar arquivos zip:
apt-get install zip unzip
- Ter um editor de texto (foi usado o PyGTKEditor):
apt-get install pygtkeditor
- No computador, faça o download do arquivo e o descompacte;
- Ligue o N800/N810 ao computador e transfira a pasta para o cartão. A partição usada para o exemplo foi a usada pelo Windows, com o sistema de arquivos FAT.
- Entre no terminal e ganhe acesso como root:
root
- Copie a pasta do cartão para o diretório /
cp -r /media/mmc2/jre /
- Entre na pasta copiada
cd /jre/bin
- Atribua permissões de execução para os aplicativos java e opera.sh
chmod +x java chmod +x opera.sh
- Execute
./opera.sh
Usando o MicroEmulator
O processo de instalação é feito com acesso como superusuário (root). Com o término da configuração não é necessário se manter como superusuário para executar o script. Este, por sua vez, invoca a execução do MicroEmulator, um emulador de J2ME que permite rodar arquivos destinados a dispositivos móveis. O processo é feito originalmente para que o Opera Mini já esteja pronto para ser executado, mas permite que outros aplicativos sejam executados com facilidade.
Para executar Opera Mini com o MicroEmulator já aberto é preciso:
- Invocar o aplicativo: Clique duas vezes sobre o opera mini;
- Na página aberta, role até em baixo e clique em Accept.
Para usar a versão mais recente do Opera Mini, acesse: http://www.opera.com/mini/next/download/ e escolha o arquivo JAD da opção “For Java-enabled phones”. Essa versão, além de ser visualmente melhor trabalhada, permite o uso de abas e dá acesso a um teclado virtual.
Algumas observações que podem melhorar o uso do MicroEmulator:
- Para adicionar um aplicativo no MicroEmulator é preciso especificar a URL de origem do JAD ou copiar para o aparelho os arquivos JAD e JAR, indicando o primeiro ao emulador;
- Para melhorar a visualização dos programas no MicroEmulator, clique sobre o ícone resize e dê ok para o valor mostrado. Com isso serão exibidos os botões da parte inferior da janela, como no caso do Opera Mini;
- Os botões de navegação de telefones funcionam com as setas e com o ENTER. Para o caso dos dois botões de acesso às duas opções apresentadas no canto inferior da tela o acesso é configurado para as telas F1 e F2. Caso o aparelho seja usado com o modo USB Host, synergy ou outra forma de acesso com teclado, o uso das teclas melhora a navegação e a resposta dos programas.
Licença de uso
Algo que não pôde deixar de ser notado ao executar o arquivo foi a mensagem informando que o produto poderá ser avaliador por 90 dias:
“Java SE Embedded 90 Evaluation Version
Use command ‘java -version’ to view days remaining in evaluation period”
Essa mensagem é exibida pelo Java SE Embedded, invocado como “java”, dentro do script opera.sh e se destina aos desenvolvedores que utilizam a API. O aplicativo é gratuito para desenvolvedores e só passa a ser paga quando este, ou a empresa que o contrata, deseja passar da fase de desenvolvimento para a de implantação do aplicativo, quando se espera que obtenha lucros.
Interessado em saber como a Sun (agora a Oracle) vê o uso do aplicativo por usuários comuns, encaminhei um e-mail perguntando sobre licença e custos para uso individual, sem intenção de aplicá-lo para desenvolvimento. Tendo a agradável surpresa de ser respondido em menos de 1 hora, tive como resposta:
“You can continue to use the 90 day evaluation version of Java SE Embedded at no cost. At the end of the 90 days, you can simply download another copy, again at no charge. There are no limits to the number of times that you download and install the JVM to a single device. At this time, we do not sell individual copies of the software – expiration free copies are only available under a volume license agreement.”
Resumindo, o funcionário da Oracle indica que ao fim dos 90 dias de avaliação seja feito um novo download do aplicativo que durará outros 90 dias. Ou seja, exceto pelo trabalho de fazer o download periodicamente, ele é gratuito e pode ser usado sem que se infrinja a lei.
Executando aplicativos Java para Desktop (J2SE)
Como dito antes, a forma como o arquivo é oferecido se destina à execução do MicroEmulator já configurado para a execução do Opera Mini. Contudo, o pacote abre a possibilidade de execução de outros arquivos e contém a versão do Java SE for Embedded, uma versão da plataforma Java que oferece recursos mais avançados do que a J2ME e que se destina a dispositivos embarcados, normalmente com maior poder de processamento.
Considerando a instalação já feita do aplicativo, tudo o que se precisa fazer é executar o comando java a partir da pasta jre/bin. Como exemplo foi executado o programa ArgoUML. O processo consistiu em:
- Baixar o arquivo do ArgoUML no N800 ou no N900 e descompactá-lo;
- Executar o comando java referenciando o arquivo argouml.jar:
./java -jar /media/mmc1/argouml-0.28.1/argouml.jar
O arquivo demora um pouco para ser aberto. Sua abertura leva pouco menos de 3 minutos para o N800 e 1 minuto e 30 segundos para o N900. Após sua conclusão a fluidez da execução é natural e sem travamentos. O único incômodo é ajustar a interface de forma mais apresentável, escondendo menus de propriedades e deixando à mostra a tela de criação dos modelos e diagramas. Após a primeira organização das janelas, a configuração é preservada em utiliações posteriores do programa.
Desempenho do Java
Algo importante a ser ressaltado é o desempenho geral do java nos aparelhos. Ao contrário do que ocorre ao executar o EasyDebian, a execução do Java for Embedded limita o uso de RAM à quantidade disponível. Nos testes realizados a quantidade de memória alocada para programas foi de 24MB, o que é ótimo inclusive para o N800 e o N810, que contam com 128 RAM e não precisam usar memória virtual (em SWAP), deixando o aparelho lento. A carga de processamento chega ao topo em alguns momentos, mas ainda assim dentro de um comportamento aceitável.
Na Figura da subseção anterior é possível notar quanto de memória é utilizado. Mesmo com o programa para desktop, o consumo é baixo.
Considerações Finais
A possibilidade de uso de aplicativos em Java, tanto destinados a dispositivos móveis quanto para desktop, para aparelhos com Maemo é interessante porque acrescenta uma grande quantidade de aplicativos com potencial de uso no sistema. O fato de executar fora do EasyDebian garante um desempenho melhor e ainda assim consegue suportar a execução de aplicativos feitos para computadores.
A compatibilidade com aplicativos não é total. O processo exige que se use arquivos JAD e ainda assim alguns dos programas não puderam ser utilizados. Para os casos em que eles são aceitos, a experiência de uso foi boa e se mostrou equivalente à execução do Java ME no computador.
Uma outra opção para Java no N900 é o projeto OpenJDK. Um dos resultados já obtidos com isso foi o uso do Apache Tomcat no N900, que serve como servidor Web para a execução de servlets e páginas JSP, além de outras possibilidades, como serviços Web, com o uso de outras bibliotecas.
Referências e Leituras Relacionadas
http://maemos.ru/2009/12/20/java-nokia-n900-maemo-5-opera-mini/
Como inicializar aplicativos automaticamente ao iniciar o N800/N810
Uma dúvida que pude acompanhar no post-770/N800/N810-sem-fim (a dúvida aqui) foi como fazer algum programa (ou vários) ser automaticamente aberto assim que o aparelho for ligado. É possível entender que alguém deseje iniciar automaticamente algum programa que sempre usa, mas antes de partir para essa abordagem é preciso ver se ela é realmente é necessária, dadas as seguintes considerações:
- Desligar o aparelho não é algo realmente necessário, principalmente se o objetivo for economizar bateria. A energia consumida ao dar boot no N800/N810
é maior do que deixar o N800 ligado por várias horas, mas em modo offline (Wi-Fi
e bluetooth
desligados), com programas fechados e tela apagada ou com pouco brilho. Dessa forma, ligar o aparelho e abrir o programa é algo que raramente deve ocorrer;
- Se o objetivo é lembrar de usar o programa assim que o aparelho for ligado ou começar a ser utilizado, ícones na tela podem ser uma boa alternativa. Para isso o Personal Launcher pode ser usado. Um tamanho grande de ícones pode garantir a visibilidade necessária para que um programa não seja esquecido de ser aberto;
- É possível que exista um widget que faça aquilo que o programa a ser aberto faria. Por exemplo, ler feeds. Se o objetivo for esse, o applet na tela inicial pode ser uma alternativa melhor, caso atenda ao gosto do usuário. Mas isso ainda cai no problema de aumentar o consumo de bateria.
Diferentes tamanhos de ícones no desktop: praticidade e visibilidade (para os esquecidos)
Terminado o momento de “eu avisei” (algo que teve que ser prometido que apareceria no post para terminar com o mimimi ter a aprovação Panaggio), vamos ao processo em si. A forma de resolver o problema foi detalhada e possui algumas discussões relacionadas no fórum da comunidade Maemo. O que é apresentado nesse post é apenas uma variação do que foi discutido lá.
Como fazer com que programas sejam abertos automaticamente ao inicializar o N800/N810:
- Tenha instalado o rootsh e o PyGTKEditor (ou seu editor de texto preferido);
- Obtenha acesso como super usuário. Para isso, abra o terminal digite:
root
- Abra o arquivo real-af-base-apps em um editor de texto. Uma forma de se fazer isso é:
pygtkeditor /etc/osso-af-init/real-af-base-apps
- O editor irá abrir o arquivo para edição. Vá ao final dele e adicione a linha:
/usr/bin/fring &
- Salve, feche tudo e reinicie o aparelho para testar.

Edição do arquivo de configuração no PyGTKEditor
No exemplo foi usado o Fring, mas outros programas podem ser utilizados. Caso a intenção seja que vários aplicativos sejam abertos, basta colocar uma linha para cada um deles. Fique atento ao uso de & após cada programa que deverá ser aberto. O caracter indica que o programa poderá ser executado em background, permitindo ao sistema executar outros aplicativos e fazer outras operações enquanto o mesmo está aberto. Essa parte foi especialmente destacada pelo fato de eu mesmo ter cometido o erro. #fail
Para saber qual o nome do programa uma boa opção é ir até o Gerenciador de Aplicativos e ver aqueles que estão instalados. Na maior parte dos casos, quando o nome do programa está na forma “nome-do-programa” e não “O Nome do Programa”, provavelmente esse será o nome utilizado. Para confirmar, basta ir no terminal e digitar apenas o nome dele. Se abrir, ok, é esse. Caso contrário, digite no terminal
ls /usr/bin
e veja se encontra o aplicativo desejado. Outra possibilidade é filtrar os nomes a partir do que você espera que seja. Para o Pidgin, por exemplo, basta fazer:
ls /usr/bin/pid*
Com isso, tudo que começar com “pid” será listado. Uma terceira alternativa é escrever ‘/usr/bin/pid’ e apertar TAB. Se o nome já for completado, é a única possibilidade. Se não aparecer nada, basta apertar duas vezes e tab e todas as possibilidades que comecem com /usr/bin/pid serão listadas.
Esse foi um modo encontrado de atender à necessidade encontrada, mas podem existir outros. No caso de processos que podem ser executados sem o modo gráfico há a possibilidade de se executar o aplicativo como daemon, que deve ser um assunto tratado em post futuro.
Se souberem de outras formas de se obter o mesmo resultado, sintam-se à vontade para apresentá-las. Recomendações e ajustes ao método apresentado são igualmente bem-vindos. :)
Referência: http://talk.maemo.org/showthread.php?p=163808#post163808
Cobertura atrasada do Nokia Camp 2009
Aconteceu faz uns dias já (24 de Outubro de 2009) o Nokia Camp 2009. Muita gente bacana blogou a respeito, e como nós do Free Bird estivemos lá, não poderíamos deixar passar em branco. O post saiu tarde porque o tempo para escrever anda minguando e tive poucas oportunidades durante esses dias todos para andar com o post. Mas vamos lá.
Pela primeira vez o Free Bird estava presente para cobrir um evento. Depois de várias coberturas a distância (Nokia World 2009, lançamento do HTC Magic, Maemo Summit 2009), finalmente fomos convidados (se é que podemos dizer isso, já que pedimos convites :-)) para participar de um evento. E não foi um evento qualquer: foi o maior evento da Nokia em terras brasileiras esse ano. Eu fui! É mesmo, eu estava lá! \o/
O evento aconteceu no Espaço Wynn, um lugar muito bacaba e que estava muito bem decorado e organizado para o evento. O Espaço fica no World Trade Center brasileiro #medo, que fica no Novo Broklin, em São Paulo (que todos vocês sabem onde fica. Espero).
O evento está na segunda edição e contou com a presença de 50 pessoas influentes em mídias sociais, como blogueiros e twitteiros ilustres e/ou famosos, além de mais 200 pessoas envolvidas com a Nokia de alguma maneira, como os Gurus, moderadores de fóruns, blogueiros não tão famosos ou ilustres e os anões da blogosfera, gente como nós do Free Bird.
O objetivo do evento era fortalecer a relação existente entre a Nokia e os “formadores de opinião” em mídias sociais no Brasil. E fazer muito marketing da empresa finlandesa, é óbvio.
“Ideias em convergência”. O tema do evento não podia ser diferente. Num ano em que a Nokia começa a marcar território não apenas como fabricante de aparelhos mas também como prestadora de serviços de entretenimento digital (em inúmeras frentes convergentes), em que transforma um computador num celular (ou o contrário, que seja), convergência é o que a alma da empresa mais irradia no momento. E foi num ambiente catalítico que o evento aconteceu.
Para iniciar, o evento foi dividido em várias subáreas temáticas. Messaging, música, apps, mapas, foto e vídeo eram as áreas relacionadas aos serviços oferecidos pela marca, além de uma área denominada Praça de Convergência, onde aconteceram as apresentações que tomaram a atenção de todos os participantes, e a área de debates.

Áreas do Nokia Camp 2009: (1) Messaging, (2) Música, (3) Apps, (4) Mapas, (5) Vídeo/Foto, (6) Praça de convergência, (7) Debates, (8) Credenciamento, (9) Entrada, (10) Toaletes
O evento começou na área de debates com Pekka Somerto, Vice Presidente global de vendas e Marketing digital da Nokia. Nessa parte do evento só os super blogueiros estiveram presentes, então mais uma vez vou ter que transcrever o que foi possível encontrar de informação.
Já disse que a empresa finlandesa está diversificando seu mercado, mas com algumas das falas do Sr. Somerto, os motivos pelos quais a empresa está tomando esse posicionamento emergem.
A Nokia está sentindo as mudanças do mercado e sentindo a necessidade de se adaptar. Afinal, as chinesas andam fazendo hardware muito barato. Em alguns casos até bem. (Há controvérsias. Fato.) Se manter exclusivamente nesse mercado seria suicídio.
Com seu clássico slogan, “Connecting People“, a Nokia pretendia oferecer dispositivos móveis que pudessem conectar as pessoas. Durante muito tempo, isso era suficiente. Mas já não é mais. Hoje, por meio dos serviços oferecidos, a Nokia tenta conectar “pessoas, lugares e o tempo”. Só não sei se “Connecting People, Places and Time” será um bom novo slogan :-).
Contexto é a palavra da vez. (E isso me deixa feliz, já que faz dois anos que invisto meu tempo nisso, para desenvolver minha pesquisa.) O desenvolvimento de aplicações sensíveis ao contexto – tentando simplificar ao máximo, aplicações que sabem para que estão sendo usadas, utilizando informações da situação do usuário – deve ser um dos grandes focos da empresa para os próximos anos.
E nesse ponto a porta (em finlandês, Ovi) aparece. Nesse mundo cada vez mais conectado vislumbrado pela Nokia, Ovi é o agente integrador, provendo as soluções e serviços necessários. Para que esses serviços não ficarem perdidos, espalhados, como acontece hoje era a até pouco tempo, Ovi vem ser a porta de entrada, unificando todas as soluções oferecidas pela empresa em uma única plataforma. E a porta, digo Ovi, está aberta.
Dentre todos os serviços oferecidos, foi dado destaque para dois grandes nomes: a loja de games (extinto N-Gage) e de músicas. “Comes With Music é uma revolução no mundo da música”, diz Pekka Somerto. E realmente é. Oferece música “dentro da lei” pelo preço mais barato do mercado, agradando alguns usuários e gravadoras. Outra frase marcante do Sr. Somerto foi sobre os games vendidos pela Nokia: “A melhor experiência em games de dispositivos móveis”. Essa já não dá para confirmar com tanta certeza. Talvez ele tenha dito isso porque você pode baixar demos dos jogos antes de comprá-los.
E isso era o que Pekka tinha a dizer. Acabada a sua apresentação, iniciou-se uma longa seção de perguntas. Rolaram perguntas sobre Nokia Maps, sobre Nokia Money, Maemo, Symbian e a possível substituição do Symbian pelo Maemo (que não acontecerá), sobre Netbooks, sobre Opensource (argh! Porque não Free Software?). Parece ter sido muito boa. Mas as pessoas já estavam dispersas.
Logo antes (ou logo no começo, isso não ficou muito claro para mim) da seção de perguntas, Pekka Somerto retirou um N900 do bolso, o que deixou os participantes da conversa num frisson absurdo. E como não podia ser diferente, todo mundo que estava lá ficou babando no aparelho. Muita gente tentou tirar foto. Teve até dizeres de exclusividade, sendo que o Free Bird tinha publicado o review do N900 no dia anterior ao evento. (Yaay! \o/ Uhu! :D)

Pekka Somerto tira o N900 do bolso. E a multidão avança (foto de Silvio Tanaka, compartilhada no Flickr oficial da Nokia Brasil)

Todo mundo querendo uma foto do N900 (foto de Silvio Tanaka, compartilhada no Flickr oficial da Nokia Brasil)
E nesse rebuliço causado pelo N900, a parte da manhã, fechada para super blogueiros, terminou. O resumo da parte da manhã, por Cris Dias, foi bastante pertinente: “Chupa Apple”. Não que a Nokia esteja a ponto de desbancar a concorrente, mas as armas estão em posição de ataque. E bem carregadas. :-)
Entre a parte da manhã e a aberta aos outros 200 participantes do evento, rolou um almoço até onde sei por conta da Nokia para os 50 supers. Nesse ponto, estávamos chegando.
A propósito, chegamos no evento graças à Carol, que nos guiou em parte do caminho de metrôs e trens até o evento. Muito obrigado pela ajuda e companhia Carol! Enquanto não chegávamos, para passar o tempo, ela tirou fotos e conversou com a Thanuci, que me acompanhou. O Vegetando ficou vegetando. E eu montando meu “cubo mágico”.
De volta ao evento. Na segunda parte do evento, que contou com nossa inútil presença, aconteceram painéis, discussões e muito bate-papo (de verdade, não em salas de chat) entre os participantes. Estava lotado, com gente interessada em todas as áreas, principalmente no balcão de comida de graça.
Tiramos muitas fotos, que podem ser encontradas no meu flickr e no flickr do Vegetando. Mas muita gente tirou fotos lá. As fotos que vi de outras pessoas ficaram fantásticas. Não percam a oportunidade de olhar por aí.
Na área de Apps, Rodrigo Toledo e vários pares da comunidade Nokia trataram de assuntos ligados a desenvolvimento e correlatos. Em todas as oportunidades que passei por essa área, não encontrei espaço para sentar. Em alguma fiquei de pé mesmo. Em uma delas cansei e sentei na beiradinha de um dos itens da decoração. Mas sentar nos banquinhos não rolou.

Galera esperando mais um painel na área de apps começar (a cabeça atrapalhando a foto é do Vegetando)
Outro ponto bastante disputado foi a área de foto e vídeo, que contou com oficinas sobre fotografia, vídeos e mais um monte de coisa que eu não consegui acompanhar. Afinal, eu não conseguiria estar em todas as áreas ao mesmo tempo :-).
Na área de mapas, não estava rolando nada que eu tenha assistido acompanhado. Mas estavam oferecendo passeios de carro por São Paulo (o que até aqui não parece nada convidativo) para conhecer como a Nokia e Navteq (que é da Nokia) geram os mapas do Nokia Maps. O passeio parece ter sido muito interessante, porque todas as pessoas com quem conversei a respeito só falaram bem. E uma dúvida de algumas pessoas que foi tirada lá: Nokia Maps será gratuito.
A área de música era outra que sempre tinha gente de pé. Aconteceram painéis sobre música, mashups, Comes With Music, industria da Música, DRM e vários outros assuntos que permeiam o meio musical. Foi uma das áreas em que fiquei pouco, mas nos poucos momentos em que estive lá, ou fiquei sabendo de coisas interessantíssimas, ou vi um debate aberto e limpo. Também ouviu-se uma baita besteira, mas como foi só uma, deixa para lá.
A área maior e mais ao fundo era onde estava o pessoal do Nokia Messaging. Lá, duas garotas muito simpáticas estavam contando aos participantes do evento o que o serviço tem de bom, tentando convencer a quem ali passasse a cria uma conta no Ovi Mail (e ela me convenceu) e recebendo muito abertamente feedback sobre o serviço. Digo isso porque falei sem parar, durante 5 minutos (talvez mais) sobre o que eu vi de bom e o que vi de ruim no serviço, e percebi que ela estava fazendo uma compilação mental de cada observação minha. (Por sinal, desde o dia do evento estamos tentando achá-la para tratar de assuntos do blog, e nada. Se você conhecer, contate-nos por favor :-)).

Eu conversando com uma das garotas do Messaging. Listei várias características positicas e negativas nessa conversa aí.

Garotas muito simáticas do Messaging. A procurada é a da esquerda. (foto de Silvio Tanaka, compartilhada no flickr oficial da Nokia Brasil)
Na área do Nokia Messaging haviam vários Nokia N97 para degustação. Eu e Vegetando não perdemos a oportunidade de testá-lo para ter as primeiras impressões enquanto não conseguimos um aparelho para fazer um review. Mas vamos guardar nossas observações sobre ele para o review. Aguardem! :-)

Foto que o Vegetando tirou com o Nokia 5800 da foto que ele tinha tirado com o Nokia N97 (a da TV). Ele me pegou de surpresa nessa. Pena não ter conseguido copiar a foto tirada pelo N97.
Na área de debates, durante a tarde toda Mona Dorf (que devia ser a única pessoa no evento que não sabia que o Jonny Ken era o criador do migre.me) mediou debates sobre inúmeros assuntos. Em todas as oportunidade que passei por ali, haviam pessoas diferentes sentadas no palco, e sempre tratando de assuntos completamente diferentes. Passou de tudo por ali: blogueiros famosos, blogueiros de tecnologia móvel (e algum que não tinham nenhuma relação com tecnologia), pessoas que estavam na platéia e que queriam participar (apesar de um amigo ter sido convidado a subir e depois a descer sem ter a chance de falar), ou, de maneira resumida, parte significativa das pessoas que perambularam pelo evento.
Depois da seção de painéis, Danilo Gentili, que chegou atrasado, fez uma apresentação, que teoricamente era um stand-up. Conversando com pessoas que curtem stand-up e já foram em várias apresentações, cheguei à conclusão que aquilo não foi um. E se foi, foi um dos piores. de qualquer maneira, foi bem ruim, e isso resume a apresentação toda dele.
Ao fim da apresentação do Gentili, aconteceu caça ao QR code. O pessoal da organização escondeu 10 QR codes pelo local do evento. E a primeira pessoa a chegar em um determinado ponto (ao lado do palco da apresentação do Gentili, para ser mais específico) com o conteúdo revelado por cada um deles, ganharia um Bluetooth Headset da Nokia. Foi um momento muito divertido para o grupo em que estávamos reunidos (eu, Thanuci, Vegetando, Carol e Jonny Ken), pois juntos conseguimos encontrar 6 dos 10 QR codes em pouquíssimo tempo. Perdemos um deles, porque o Vegetando não tinha entendido o funcionamento da brincadeira e acabou mostrando para outra pessoa um dos que ele achou. Mas no fim, não fez diferença: conseguimos ainda 1 headset para cada um. \o/
Logo depois, DJ Bruno E. e Patrícia Marx fizeram uma apresentação relâmpago. A galera curtiu bastante o som dela, que eu nunca tinha ouvido. Até eu que não curto muito o estilo achei bacaninha.

Patrícia Marx e Bruno E. no finzinho do Nokia Camp 2009 (foto de Silvio Tanaka, compartilhada no flickr oficial da Nokia Brasil)
Por fim, para encerrar o evento, rolou um coquetel cheio de hamburguinhos, pasteizinhos, salgadinhos e toda a sorte de coisinhas em miniatura que todo mundo menos o Vegetando gosta. Foi um fim de evento excelente, muita conversa, troca de figurinhas e cartões de visita.
Eu queria ter feito mais lá, mas a limitação de tempo não deixou. Mas isso não foi um problema: conhecemos muita gente legal, como o José Antonio “Javsmo” do NokiaBR, vimos pessoas que considerávamos intocáveis e revimos grandes amigos.
No geral, foi um evento excelente, que superou completamente minhas espectativas. Aproveitamos cada segundo lá. Somando a oportunidade de conhecer pessoas tão legais e influentes, de conversar com tantos amigos, de trocar ideias e experiências com o pessoal de lá, de correr atrás de QR codes como se fossem ouro só pela brincadeira e de gastar todas as nossas energia em algo tão bacana, o evento foi um sucesso. Porque outra alternativa não existia.
O Nokia Camp 2009 se foi. Que venha o Nokia Camp 2010!
















