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Posts tagged ‘maesum’

13
Oct

Maemo Summit 2009 – Dia 3

Maemo Summit 2009

Maemo Summit 2009

Terceiro e último dia do Maemo Summit. Segundo dia de evento organizado pela comunidade. Muita coisa rolou, desde repetecos aprofundados dos outros dois dias a apresentação de material novo e surpreendente.

Sala principal do Maemo Summit - garanto que os participantes vão sentir saudade dela (foto de henribergius, compartilhada no flickr pela Creative Commons)

Sala principal do Maemo Summit - garanto que os participantes vão sentir saudade dela (foto de henribergius, compartilhada no flickr pela Creative Commons)

Mas antes de mais nada, um esclarecimento. Se comparado com os outros dois dias, a quantidade de informação produzida colaborativamente foi bem pequena. Mas isso tem uma explicação simples: todo mundo estava cansado. Também pudera! Desde sexta-feira 8 de Outubro, a vida tem sido intensa para toda essa galera.

Por conta disso, o dia começou atrasado para muitos dos participantes do Maemo Summit. Relatos desse tipo não faltaram. Várias pessoas perderam o começo do dia de evento.

As primeiras apresentações e demos do dia foram das grandes aplicações da comunidade. eCoach foi a primeira, mas nada do que foi relatado lá parecia novo. Tracking via GPS, monitoramento de batimentos cardíacos via bluetooth.

Na sequência, foi apresentado o Mauku 2.0, nova versão do cliente twitter mais conhecido do Maemo. Algumas novidades foram apresentadas, como um novo backend que permite adição de novos serviços de microblogging. Já há suporte para Twitter, Jaiku (que eram os já presentes), Qaiku e identi.ca. Mas também vimos alguns relatos de que ainda há o que melhorar, e que o Maemo ainda precisa de e merece um bom cliente Twitter.

O último demo a ser apresentado foi sobre o osm2go, um aplicativo para visualizar e editar conteúdo do OpenStreetMap. OpenStreetMap é a “Wikipédia dos mapas”: qualquer pessoa pode editar e visualizar mapas de lá. O osm2go é um ótimo aplicativo para que qualquer um possa contribuir. Com certeza o melhor aplicativo demonstrado nessa sessão na minha opinião e também na dos presentes. Muita gente elogiou.

Outro demos foram apresentados também, entre eles o liqbase, um “playground gráfico para Maemo” e o OMWeather, widget de clima. Nada de muito relevante foi comentado no twitter, no entanto.

Algumas das estrelas do Fremantle - eCoach, Mauku 2.0 e OMWeather (imagens do Maemo Select)

Algumas das estrelas do Fremantle - eCoach, Mauku 2.0 e OMWeather (imagens do Maemo Select)

Das 15 apresentações da manhã, 4 merecem destaque. Iniciando pela primeira apresentação da sala N900, Maemo Browser for power users. Nessa apresentação foram expostos alguns pontos chave do navegador desenvolvido para o Maemo 5. Para um melhor suporte aos padrões da Web, a engine Gecko, da Mozilla (engine do Firefox), foi a escolhida. Desempenho foi um dos pontos mais martelados no desenvolvimento do navegador, que é bastante rápido. Outro ponto forte, mas esse já não é novidade, é que a navegação sem horizontal scrolling, já que a resolução da tela é 800×480 pixels e o navegador tem suporte a tela cheia, como nos dispositivos antecessores. Além disso, o browser suporta algumas gestures, como zoom “na manivela” (veja vídeo) e outras tantas maravilhas.

Para uma experiência igual a do desktop, uma coisa não poderia faltar: Flash. E para alegria de todos, o suporte a Flash no browser padrão do Maemo 5 é completo! Outra coisa importante para qualquer browser dissidente do Firefox é o suporte a addons, e novamente o navegador corresponde! O suporte a extensões é igual ao suporte no Firefox, mas para usar extensões, elas terão que ser portadas.

Outra apresentação que merece ser comentada pela polêmica gerada foi sobre a nova plataforma de segurança do Maemo: Maemo Platform Security: Principles and Concepts. Foram apresentados diversos mecanismos e técnicas utilizados para proteger a plataforma de software como um todo. Sendo mais específico, as preocupações com segurança são:

  • Proteção a privacidade (Privacy Protection)
  • Controle de acesso (Access Control)
  • Proteção de integridade (Integrity protection)
  • Hardware Enablers (sem bom tradução)
  • Gerenciamento de chaves (Key management)
Slide da plataforma de segurança do Maemo 6 - proteção a privacidade, controle de acesso, proteção de integridade, hardware enablers (nenhuma tradução decente para isso) e gerenciamento de chaves (slides no Slide Share)

Slide da plataforma de segurança do Maemo 6 - proteção a privacidade, controle de acesso, proteção de integridade, hardware enablers (nenhuma tradução decente para isso) e gerenciamento de chaves (slides no Slide Share)

Maemo 6 terá dois modos: aberto (open, modo atual) e fechado (closed). A introdução do modo fechado é necessária ao olhos da Nokia para permitir DRM e outras questões de comercialização. Com esse novo modo, eles ficariam mais a vontade portar N-Gage, Music Store e outros. Para mim e mais algumas pessoas do movimento de software livre, é um furo na liberdade. Mas para outros, pode ser um meio de perder um pouco de liberdade para ganhar em outros aspectos (que eu (in?)felizmente não consigo ver quais :-)). Nos argumentos do Vegetando, “pode ser até um ganho de liberdade, já que você pode escolher entre o fechado e o livre ao invés de ficar preso apenas ao livre”, o que é uma coisa confusa e dúbia. Não pela fala dele, que eu adaptei para transcrever aqui. Mas pela ideia em si. É uma coisa bem complexa e que precisa de mais discussão. (Tem alguma opinião sobre? Comente aí!)

Mais a fundo no novo modelo, algumas coisas serão mais difíceis, e não há quem me convença de que isso não é perda de liberdade. Na nova plataforma de segurança, não será possível reinstalar o SO (reflash) em dispositivos bloqueados. É um ganho para a Nokia, obviamento, porque fará o aparelho ser mais atrativo para as operadoras. Mas os usuários e a comunidade de maneira geral vão perder. E isso já é possível no N900. (#medo).

Além dessas questões de segurança já apresentadas, existem mais alguns problemas relacionados ao modelo de controle de acesso do Unix, no qual o modelo do GNU/Linux foi baseado. No modelo clássico de controle de acesso do Unix, basta especificar controle multiusuário e pronto. Mas para Maemo, vê-se a necessidade de um controle mais fino. Isso pode ser uma coisa muito boa, se bem feita, já que é real a necessidade de um esquema melhor no controle de acesso. Mas se feito sem muito cuidado, pode virar um grande monstro, completamente fora do modo Unix de resolver problemas. A princípio, a proposta e o direcionamento atual do desenvolvimento do controle de acesso parecem bons. Mas aguardemos para ver no que isso vai dar.

Para finalizar o assunto de segurança, foi dito que grande parte do código relacionado a segurança será aberto. Bom porque mais gente poderá ver o código, contribuir, encontrar bugs. Ruim porque não é todo o código, então vamos continuar com pequenas partes amarradas à Nokia ainda.

E uma dúvida associada às licenças foi tirada hoje: Nokia não pretende aderir à GPL3. Ficará com LGPL e GPL2 por questões estratégicas.

Um assunto já muito comentado que foi tema de uma palestra que forneceu informações importantes foi o port do KOffice para Maemo: Mobile Office based on KOffice Open Source Project. Que o Maemo 5 virá com KOffice só para visualização já era conhecido. Mas hoje foram liberados alguns detalhes extras a respeito. Para começar, o visualizar de apresentações, o KPresenter, não faz a exibição dos slides, devido a uma pendência do port. Além disso, finalmente apareceu um vídeo do uso do KOffice no Maemo 5. Várias características do software foram mostradas, com foco no visualizador de documentos e de slides.

A última apresentação a ser comentada foi logo antes do almoço, sobre a integração do Telepathy on Maemo. Foram apresentados os motivos da troca dos aplicativos anteriores pelo Telepathy e também comentadas algumas novas características que o Maemo ganhou com a integração.

A motivação para trocar o IM padrão, os aplicativos de video e audio-chamadas  do Maemo pelo Telepathy foi bastante simples: sair de um modelo monolítico e extremamente inflexível para uma arquitetura extensível, totalmente baseada em plugins. Telepathy faz o que lhe é incumbido fazer muito bem, e assim se tornou uma ótima opção.

Na instalação padrão do Maemo, já temos alguns gerenciadores de conexão instaladas, como Skype e ligações telefônicas. Vários outros estão disponíveis nos repositórios para download, e outros podem ser desenvolvidos/portados facilmente, já que o Telepathy tem um ótimo sistema de plugins.

Alguns desafios enfrentados e que tornam o uso do Telepathy no Maemo ainda melhor. Para atender às necessidades de um usuário do N900, a “agenda” do dispositivos precisa gerenciar contatos de telefonia, IM (em diversas redes) e mais. Além disso, pode-se adicionar/remover contatos em modo offline, e uma sincronização é necessária para não perder nenhuma informação. No Maemo 5, isso tudo já é feito.

Depois das palestras pela manhã, aconteceram diversas palestras relâmpago a tarde. Logo depois, aconteceu o encerramento, que foi regado a emoção e união da comunidade. E assim chegou o fim do Maemo Summit 2009.

Encerramento do Maemo Summit 2009. Com certeza, um momento para praticar o desapego. (foto de henribergius, compartilhada no flickr pela Creative Commons)

Encerramento do Maemo Summit 2009. Com certeza, um momento para praticar o desapego. (foto de henribergius, compartilhada no flickr pela Creative Commons)

E o evento acabou num espírito bem parecido com o do começo.  Muito trabalho da organização, que foi aplaudida com fervor. O objetivo principal de fazer a comunidade interagir foi de longe atingido. O resumo do Maemo Summit foi muito bem feito por Gustavo Barbieri, um dos brasileiros que lá estavam, em um twit (não nessa ordem, adaptei ao meu gosto :-)): ótimas tecnologias, ótimos dispositivos, ótimas pessoas, ótimo evento!

Até o próximo Maemo Summit. Quem sabe no próximo nós realmente não vamos para lá?

Marca deixada num restaurante de Amsterdam por alguns dos participantes ao final do evento. Marca da união dos membros da comunidade e da alta qualidade do evento. (foto de timsamoff, compartilhada pelo twitpic)

Marca deixada num restaurante de Amsterdam por alguns dos participantes ao final do evento. Marca da união dos membros da comunidade e da alta qualidade do evento. (foto de timsamoff, compartilhada pelo twitpic)

http://twitter.com/allaboutmaemo/statuses/4781549771
13
Oct

Maemo Co-Creation Workshop

Co-Creation Session

Co-Creation Session (Foto de aSimulator no Flickr)

Um momento que chamou a atenção no 2º dia do Maemo Summit 2009 foi o Maemo Co-Creation Workshop. Organizado por Jussi Mäkinen, o workshop ocorre em sessões anuais, nas quais lead users (de modo simples, usuários que conseguem ver necessidades que surgirão pelo público comum) e pessoas envolvidas na gerência, projeto e marketing de produtos do Maemo interagem e imaginam futuros casos de uso para dispositivos. O tema abordado esse ano foi: Criatividade em Movimento.

A iniciativa é uma forma de desenvolver produtos inovadores, de antecipar tendências e criar soluções sem as quais o usuário não consiga viver sem a partir do momento em que sabe que ela existe ou que a utiliza. A ação foi baseada em 5 princípios norteadores, apresentados no artigo CO-CREATION’S 5 GUIDING PRINCIPLES or…. what is successful co-creation made of?. Essencialmente os princípios são:

  • Inspirar Participação: mostrar quem é você (como empresa), o porquê de precisar da particpação das pessoas e o tipo de resultado que isso pode trazer. Dentro disso, tratar todos de forma igual  (usuários, desenvolvedores e pessoas envolvidas);
  • Selecionar os melhores (lá se vai “todos de forma igual”): dos usuários que participaram, buscar refinar e obter um conjunto daqueles que se destacam, que mostram potencial para ter idéias e colaborar dentro do processo criativo;
  • Conectar mentes criativas: tendo o grupo de pessoas formado, permitir que elas trabalhem bem em conjunto, sabendo discutir e receber críticas;
  • Compartilhar os resultados: mostrar os resultados que foram obtidos, reconhecer as boas participações e dividir os benefícios;
  • Continuar o desenvolvimento: dar continuidade ao desenvolvimento do trabalho mantendo realacionamento com a comunidade.
Maemo Community

Comunidade do Maemo e projetos relacionados

A Nokia trabalhou exatamente dentro desses princípios. Semanas antes do evento (no dia 17/08/2009) a empresa apresentou para a comunidade do Maemo o projeto (teve até uma chamada de participação no twitter) e deixou claro o que seria feito, como seria feito e que resultados poderiam ser obtidos, com a previsão de que estes poderiam se tornar produtos concretos. Evidenciou que seriam valorizadas tanto as contribuições offline, trabalhadas diretamente pelas pessoas da Nokia, quanto as online, pela participação de membros da comunidade (são mais de 20.000 membros registrados).

Dois dias depois de apresentar a proposta foi postada a primeira idéia a ser debatida: O que Mobilidade Criativa significa para você? (uma tradução de What does Mobile Creativity mean to you?). As discussões online geraram cerca de  40 respostas e incluíram temas e idéias como integração e contextualização de informações, edição facilitada de mídias, conteúdo colaborativo, realidade aumentada e reconhecimento de gestos adaptado automaticamente para cada usuário. Tim Samoff, que posteriormente foi um dos selecionados do projeto, chegou a postar alguns rascunhos de idéias envolvendo informações de contatos e informações integradas ao calendário.

Cerca de duas semanas depois o segundo tema foi apresentado para ser discussão:  Qual será a próxima melhor coisa dentro de Edição e Compartilhamento de Mídia Criativa? (What will be the next best thing in Creative Media Editing & Sharing?). Com 51 respostas, surgiram idéias voltadas para trabalhar com pessoas, grupos e amigos, compartilhando e editando conteúdo. Entraram em questão tecnologias como OCR, reconhecimento de voz, RFID, produtos para DJs e temas relacionados a produção de conteúdo, mesmo com gadgets diferentes, experiências colaborativas e fotos 3D.

Quase que paralelamente às discussões foi iniciada a montagem de uma lista para que os membros mostrassem interesse em participar do workshop ou pudessem recomendar pessoas que se encaixavam no perfil esperado. Por pouco menos de duas semanas depois surgiu terceira e última proposta para discussão: Qual será a próxima melhor coisa dentro de Descoberta de Conteúdo? (What will be the next best thing in Content Discovery?). O brainstorm levou a 61 postagens no fórum, que envolveram discussões sobre tecnologias e propostas como CPEX, Web Semântica, Google WebFinger, além do papel da Nokia dentro desse processo e da capacidade da Ovi.

Um dia antes do início do Maemo Summit ocorreu o workshop em si, já com os participantes selecionados. As participações envolveram grupos que foram subdividos para trabalharem em dentro dos temas propostos.

Maemo Co-Creation Workshop

Maemo Co-Creation Workshop

Depois de tantas discussões, reuniões e propostas, o que se conseguiu? As discussões viraram 6 cenários de uso, dos quais 4 foram escolhidos para serem detalhados e trabalhados a fim de gerarem produtos para o Maemo. Os resultados foram divulgados na comunidade no primeiro dia do Maemo Summit. No segundo dia foi apresentado no próprio evento. Os cenários foram explicados a partir dos conceitos criados para a solução dos problemas envolvidos. Os próximos tópicos são uma reprodução do que foi apresentado no fórum.

Conceito 1: Conteúdo Contagioso

O conceito é uma forma de espalhar e compartilhar conteúdo com outras pessoas, baseado em interesses em comum. Funciona da seguinte forma: enquanto uma pessoa anda em uma rua é possível usar o dispositivo para ver o conteúdo que está sendo usado e compartilhado por pessoas que estejam à sua volta.  Conteúdos de mesmo tipo criam campos de calor (a tradução mais próxima que encontrei, com ajuda do Panaggio, para heat-pools) em volta da pessoa. Com isso, é possível ver qual conteúdo é mais utilizado e possui maior interesse direcionado pelo seu dono. Quando há pessoas próximas fisicamente (passando na rua ou em um mesmo ambiente) e que possuem perfil de interesse relacionados, são formados grupos. Pessoas destes grupos passam a compartilhar o conteúdo de seu interesse entre si. Pessoas que estão próximas mas que não possuem o conteúdo de interesse relacionado ao seu são tratadas como radicais livres. O conteúdo dessas pessoas não é evidenciado, são tratados como pontos que transitam em torno do dono do aparelho. Uma vez que mais pessoas passem a ter interesse por esses radicais livres, passando a acessar o conteúdo, eles se tornam campos de calor.

Conteúdo viral

Conceito 1 - Conteúdo contagioso (imagem por Marieke no fórum maemo.org)

De uma forma um pouco menos abstratata, como explicada por um dos participantes do processo, as pessoas podem definir seus interesses e configurar o tipo de conteúdo que pode ser compartilhado (a idéia de calibrar o interesse pode ser algo próximo ao Playlist DJ do Nokia X6). A definição dos interesses pode ser feita por tags e metadados que classificam o conteúdo e que permitem caracterizá-lo. O que se espera é que as pessoas compartilhem aquilo que elas vêem como interessante, como sendo algo de valor.  Ao ir a um show, por exemplo, é possível encontrar um grande número de pessoas com gostos musicais próximos. Algo interessante é que o conteúdo dos dispositivos deve estar disponível na nuvem (em servidores que mantêm o conteúdo na Internet). Assim, caso o dispositivo passe por outro com muito conteúdo relacionado, ele não precisará transferir todo o conteúdo de aparelho para aparelho, o que poderia ser inviável. Apenas as referências aos links do conteúdo podem ser recuperadas, de modo que cada dispositivo baixe da nuvem seu conteúdo.

Conteúdo contagioso

Conteúdo viral (imagem por Marieke no fórum maemo.org)

Conceito 2: Enriquecer (N-rich )

Uma grande quantidade de conteúdo pode ser gerada com dispositivos móveis. Para conseguir organizar e facilitar seu gerenciamento e recuperação desse conteúdo são utilizadas tags, que atuam como metadados (mais informações sobre o conteúdo). O problema deste cenário é conseguir atribuir tags de forma apropriada. O conceito de N-rich, proposto neste cenário, visa permitir que as pessoas possam recuperar conteúdos e atribuir tags de forma mais inteligente. A base para isso está no uso das informações dos contatos: pessoas conhecidas e que possuem um grau de confiança e relevância. Cada pessoa trás consigo um certo volume de informações que é coletado e relacionado pelo N-Rich. As informações recuperadas de diferentes repositórios de informaçoes (Facebook, Flickr, LinkedIn, etc.) e incluem fotos, vídeos, informações de contato e, principalmente, tags.  As tags podem ser usadas para melhorar o vocabulário de tags do próprio usuário, por meio de um sistema de aprendizagem que aprende a forma mais fácil de achar o conteúdo certo. Cada pessoa pode ser classificada por seu nível de conhecimento a respeito de um certo conteúdo. Por exemplo, caso o usuário esteja procurando um carro novo, o conteúdo e as tags relacionados aos amigos que possuem conhecimento sobre carros estarão dentro da área de interesse.

Tags inteligentes

Conceito 2 - N-Rich (imagem por Marieke no fórum maemo.org)

N-Rich

Tags inteligentes (imagem por Marieke no fórum maemo.org)

Conceito 3: Live Editing

A idéia deste conceito é evitar uma situação comum: as pessoas tiram fotos e gravam vídeos, mas postergam a edição e o tratamento deles indefinidamente. Quando o conteúdo precisa ser compartilhado ou usado há muito trabalho para ser feito. Como solução é proposto um modo de ajuste das fotos e vídeos no momento da criação. As configurações (luz, contraste, efeitos especiais e outros) são feitos com sliders e controles touch-screen simples e intuitivos. A foto e o vídeo são criados já prontos para o compartilhamento ou publicação.

Live Editing

Conceito 3 - Live Editing (imagem por Marieke no fórum maemo.org)

Live Editing

Live Editing (imagem por Marieke no fórum maemo.org)

Conceito 4: Juntar-se à Banda

O quarto conceito pode ser entendido dentro de um evento em que as pessoas tiram fotos, fazem vídeos, criam anotações e geram outros tipos de conteúdo. Ao final do evento é comum que demore até que o conteúdo gerado pelas outras pessoas possa ser acessado, até mesmo porque é difícil que uma pessoa pare e se disponha a compartilhar e organizar o conteúdo dela. Como solução para esse problema foi proposto ter um local centralizador de conteúdo, no qual todos os recursos são armazenados durante o evento. Por fim, todos têm acesso a todo conteúdo gerado.

Experiência colaborativa

Conceito 4 - Juntar-se à banda (imagem por Marieke no fórum maemo.org)

Juntar-se à banda

Experiência colaborativa (imagem por Marieke no fórum maemo.org)

As idéias que surgiram no Maemo Co-Creation, se implementadas, podem levar a produtos interessantes. São o tipo de facilidade que pode ser integrado ao cotidiano, atuando de modo quase transparente para o usuário, mas que leva a novas formas de interação. Por exemplo, tentar pesquisar sobre o conteúdo de uma pessoa interessante que está em um mesmo local antes de ter uma conversa com ela (ok, isso é fruto de uma mente nerd que prefere passar minutos pesquisando sobre a pessoa sem ter coragem de falar com ela pessoalmente),  recriar um evento pela composição de todos os materiais produzidos pelos participantes ou ter ainda melhor qualidade em cobertura de acontecimentos que são registrados por pessoas comuns com local e momento oportunos.

Ainda há muitas questões envolvidas para que os projetos sejam realmente criados. Além das questões tecnológicas envolvidas, sobre viabilidade dos projetos e possibilidade de implementação, há questões relacionadas à privacidade do usuário e distribuição de conteúdo com direitos autorais.

Sobre o evento, fica o registro do processo de criação de novos produtos e do exemplo de interação entre a empresa, responsável pela criação do produto, e a comunidade, que trabalha no desenvolvimento e na evolução dos seus recursos.

12
Oct

Maemo Summit 2009 – Dia 2

Maemo Summit 2009

Como anunciado anteriormente, o primeiro dia do Maemo Summit ficou por conta da Nokia, enquanto os outros dois ficaram a cargo da comunidade. O segundo dia do evento foi iniciado com a apresentação do Maemo Council, formado por 5 integrantes (voluntários, que não recebem remuneração e nem estão ligados à Nokia) escolhidos por usuários, desenvolvedores e pessoas envolvidas com o Maemo. O papel do conselho é estabelecer a comunicação entre a comunidade e a Nokia, e vice-versa.

Os membros são pessoas ativas na comunidade e que trabalharam em projetos como o EasyDebian, BlueMaemo e GPE. Na apresentação cada um falou de idéias e perspectivas para o Maemo.

Maemo Council

Maemo Council formado por Randall Arnold, Alan Bruce, Graham Cobb, Matthew Lewis e Valério Valério (foto de aSimulator no Flickr).

Projeto Interface para o Maemo 5

Apesar de estar relacionada à área de desenvolvimento, a palestra teve algumas informações pertinentes para futuros usuários do N900. A interface está voltada para um bom uso sem stylus, adaptada aos dedos, e os desenvolvedores são orientados a utilizar poucos elementos, mantendo a simplicidade e evitando personalizações. Estes fatores permitem manter a consistência da interface e acelerar o processo desenvolvimento. Outra característica comentada é que mesmo que alguns botões estejam pequenos, como o “X” de fechar aplicativos, a área reconhecida do botão é maior, como se existisse um campo ao redor dela.

Maemo 5 Interface

Maemo 5 Interface (Foto de mackarus, no Flickr)

Personalização do N900

Foram mostradas as possibilidades de personalização da interface, mudando elementos visuais, papel de parede, sons e alertas. Como visto nos vídeos sobre o N900, há quatro áreas de trabalho que formam um desktop panorâmico, com um papel de parede contínuo, que pode ser visualizado e “percorrido” pelo usuário ao tocar a tela. Há, inclusive, wallpapers disponíveis que exploram esse recurso, como fotos, fases de jogos e ilustrações.

Para quem quiser começar a criar temas para o aparelho é possível usar o Theme Maker, que permite alterar ícones e imagens de fundo. As imagens de fundo podem ser trocadas no desktop, media player, relógio e gerenciador de aplicativos. Usuários que possuem um pouco mais de conhecimento técnico podem ganhar acesso como root e alterar ícones, sons, fontes e outros arquivos diretamente.

O suporte a perfis de sons do aparelho ainda está limitado. Há apenas dois perfis (fato que causou certo espanto): silencioso e geral. Não existem opções de criar toques específicos para grupos ou pessoas, criando a expectativa de que as funções sejam implementadas. O vídeo abaixo mostra o funcionamento do N900 ao realizar e receber chamadas.

Aplicativos para o Maemo 5

Durante o evento foram apresentadas novidades com relação a aplicativos para o Maemo 5, apesar de suas versões anteriores estarem disponíveis para o Maemo 4 (Diablo). A maioria não trouxe muitas novidades, foram uma transição do Maemo 4 para o 5.  Os aplicativos cobrem diferentes aspectos, como e-mail, contatos, comunicação e multimídia.

O Modest é o cliente de e-mail já utilizado no Maemo 4 (no N800 e N810) e que agora está em desenvolvimento para a versão 5 do sistema operacional. Seguindo a tendência do Fremantle, a nova versão do aplicativo deve oferecer uma experiência de uso melhor com os dedos, além de manter preocupações como o uso de várias contas e boa experiência em dispositivos com desempenho e conexão limitados.

Cliente de e-mail do Maemo 5

Cliente de e-mail do Maemo 5

O Feed Handler, aplicativo já disponível no Maemo 4, permite escolher entre diferentes ações quando se escolhe assinar um feed. Por exemplo, é possível adicionar o feed ao gerenciador de feedspodcasts, Google Reader e outros. As novas propostas para o desenvolvimento do Feed Handler estão voltadas para permitir a adição dinâmica de outros aplicativos (atualmente isso é feito de forma específica, o que não oferece muita flexibilidade para agregar ferramentas de terceiros ), melhorar a interface e dar suporte a outros navegadores (no momento suporta o navegador padrão de cada versão do Maemo).

Feed Handler - Gerenciador de assinaturas de feeds

Feed Handler - Gerenciador de assinaturas de feeds.

Foram apresentados conceitos relacionados a três aplicativos contextualizados em anotações: Conboy, Tomboy e Snowy. O Conboy é um aplicativo para a criação e gerenciamento de anotações. Uma de suas vantagens é trabalhar com arquivos criados pelo Tomboy, também voltado para anotações, mas utilizado em computadores. A apresentação sobre o Conboy incluiu a novidade de permitir o uso do Snowy, uma aplicação Web que permite sincronizar, visualizar, editar e compartilhar notas do Tomboy. A iniciativa, além de facilitar a sincronização de anotações entre diferentes aparelhos, oferece possibilidades de editá-las na Web e de ser integrada a aplicativos e serviços de terceiros. Outra observação realizada pela apresentação: no N900 o Conboy pode ser usado também no modo retrato, mostrando que o suporte ao modo de uso do aparelho em posição vertical está sendo considerado pelos desenvolvedores.

Conboy - Gerenciador de anotações

Conboy - Gerenciador de anotações.

O BlueMaemo, também já utlizado no N800/N810, foi apresentado com uma nova interface para o N900. O aplicativo permite que o aparelho funcione como um dispositivo bluetooth HID, sendo reconhecido e utilizado como mouse, teclado, controlador de apresentações ou controle de vídeo game. Entre as possibilidades de uso estão computadores com diferentes sistemas operacionais, Playstation 3 e outros dispositivos móveis que aceitem o perfil bluetooth HID.

Canola - Media center do Maemo (Foto de Eduardo Lima)

Canola - Media center do Maemo (Foto de Eduardo Lima)

O Canola é um aplicativo media center com uma interface voltada para uso com interface touchscreen. Sua arquitetura permite adicionar diferentes plugins já existentes, como para Last.fm, YouTube, Flickr e UPnP. No evento foram apresentados outros complementos para Twitter, BitTorrent, Picasa e Remember The Milk. Pelo post recente sobre o desenvolvimento do Canola para o N900, apesar de ainda ter um pouco de instabilidade, o aplicativo é executado bem no N900, com uma experiência próxima à que é obtida em um computador (no N800 sua execução é um pouco lenta).

A sessão de apresentação do Address Book, relacionada ao gerenciamento de contatos do N900, mostrou novidades para usuários e desenvolvedores. Ao digitar algo na tela principal do Maemo 5, surge uma busca por contatos que são filtrados conforme os caracteres são inseridos. Como tendência do Maemo 5, seu uso é voltado para os dedos. Cada contado pode ter diferentes informações, como nome, apelido, idade, endereço, foto, conta do Skype, informações da Ovi e outros. Há uma boa flexibilidade para adicionar outras informações que podem ser necessárias.

Para os desenvolvedores ressaltaram a facilidade de se obter os diferentes dados dos contatos. Isso é relevante para permitir uma boa integração com outros aplicativos, que podem reutilizar informações de contatos, obter fotos e agregar ao seu conteúdo outras informações relevantes ao seu uso. O vídeo abaixo permite ver algumas das informações referentes ao gerenciamento de contatos.

O Fring, aplicativo disponível em diferentes dispositivos móveis (como para Symbian, Windows Mobile e Maemo) também foi apresentado, mas sem grandes novidades além das operações que já faz. Entre elas acessar contas de diferentes serviços (ICQ, GTalk, MSN, etc.), troca de arquivos, ligações com Skype e plugins pra serviços como o Facebook, Orkut e Twitter.

UPnP e DLNA

Um dos temas discutidos foi o trabalho que tem sido realizado no desenvolvimento de uma solução para uso de UPnP para o Maemo e o Gnome Mobile. O UPnP é um conjunto de protocolos que devem permitir a dispositivos estabelecerem comunicação e interagirem de forma simplificada, com reconhecimento e configuração automáticos. Isto entre diferentes tipos de eletrônicos, como dispositivos móveis, TVs, impressoras, vídeo games e câmeras. O N900 já fornece um suporte básico ao UPnP, mas ainda há mais para ser desenvolvido para permitir aplicações mais interessantes, como fazer streaming do conteúdo da TV.

Na apresentação foram realatos os problemas com as especificações do padrão, em temos de como as coisas devem funcionar. Uma solução apresentada foi o uso deo GUPnP, um projeto open source que já oferece alguns dos recursos necessários ao suporte mais completo ao gerenciamento de dispositivos UPnP.

MER
Mer - Evolução do Maemo em dipositivos antigos

Mer - Evolução do Maemo em dipositivos antigos

Ocorreu uma apresentação sobre o MER, uma iniciativa da comunidade para permitir que aparelhos antigos (N770, N800 e N810) continuassem obtendo evoluções do sistema operacional, já que a versão 5 do Maemo, até o que é divulgado no momento, não dará suporte a eles. Foram relatados os esforços e progressos no seu desenvolvimento, como sua disponibilidade para diversos dispositivos, além dos tablets da Nokia, como FreeRunner, SmartQ5, SmartQ7 e Beagleboard. Além disso foi apresentado o plano de desenvolvimento do MER 2, baseado no Harmattan, a versão 6 do Maemo.

Platarforma de Segurança do Maemo 6 – DRM e outras questões

Algo interessante que foi dito, dentro da apresentação sobre a Plataforma de Segurança do Harmattan e comentado pelo AllAboutMaemo:

Devs and users can switch mode when ever they like. Between open and closed mode (DRM). Good compromise. #maesum

O que pode ser entendido, e que continuou em discussão, é que no Maemo 6 o usuário poderá escolher entre ter o aparelho com ou sem DRM (ou, na verdade, fechado ou aberto). Isso é algo semelhante ao que ocorre com o modo red pill, ou talvez algo semelhante ao que ocorre no Symbian com a possibilidade (forçada pelo usuário com hacks) de instalar aplicativos assinados ou não. No caso, usar o modo “fechado”, implica também no uso de DRM e deve permitir ao usuário ter acesso a aplicativos e serviços como a Music Store e o Comes With Music. Se o dono do aparelho não quiser ter esse tipo de restrição, pode optar por mantê-lo aberto, e abrir mão do serviço. O importante é: a opção fica a critério do usuário e pode ser revertida. No terceiro dia do evento devem aparecer mais detalhes sobre essas questões e outros comentários devem ser discutidos na comunidade.

Outras informações sobre o evento

Como apresentado no resumo do dia 1, cada participante do Maemo Summit recebeu um N900 para usar por 6 meses. Com isso, foi possível notar mais comentários sobre o uso do aparelho e suas características. Apareceram relatos (nada que seja estatisticamente relevante) de usuários que preferiram o teclado do N900 ao do N97.

Uma imagem curiosa que apareceu durante o evento foi a de um N900 com cobertura personalizada de madeira. A personalização não está disponível para compra, como anunciado por TheNokiaBlog.

N900 com cobertura personalizada de madeira

N900 com cobertura personalizada de madeira (Foto de mackarus, no Flickr)

O acompanhamento do evento pôde ser feito graças aos comentários feitos pelos participantes do Maemo Summit pelo Twitter e pela cobertura disponível pelo AllAboutMaemo.

Para ver outras fotos do evento, acesse: http://www.flickr.com/photos/tags/maesum/

Eduardo Lima