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Posts tagged ‘GNU/Linux’

27
Jun

Particionamento: Prática

No post Particionamento: Teoria foram abordados os motivos para se realizar o particionamento de dispositivos de armazenamento, critérios a serem aplicados no momento de realizá-lo e os conceitos envolvidos nesse processo. Neste  post será exibida a parte prática do particionamento, exemplificada pelo particionamento de um cartão para uso no N800/N810. O processo é mostrado em detalhes no próprio aparelho, utilizando o GParted. Contudo, são mostradas formas alternativas de se fazer o processo em outros sistemas operacionais, incluindo Windows, Ubuntu e Maemo 5 (no N900).

Particionamento com o GParted

GParted - Software aberto e livre para particionamento (http://gparted.sourceforge.net/)

GParted - Software aberto e livre para particionamento

O GParted é um programa que oferece um conjunto variado de operações para dispositivos de armazenamento. Ele oferece uma interface gráfica que permite visualizar dispostivos e manipular as partições existentes. Um dos recursos interessantes é a possibilidade de mover partições, mantendo os dados (mas sempre há um pouco de risco de perdê-los).

Na realidade, o GParted é uma interface Gnome para a biblioteca libparted (parte do GNU Parted). Há versões do programa para diferentes distribuições GNU/Linux que, apesar de alguma diferenças visuais em tonalidades, ícones e suavidade das janelas, mantêm o mesmo padrão de interface do programa e as mesmas funcionalidades.

Neste post será mostrado o processo de particionamento de um cartão para o Maemo, tendo como base a divisão proposta no post anterior sobre particionamento. A configuração montada foi:

  • 1 Partição com FAT16 ou FAT32: reconhecida pelo sistema como o cartão interno, e que é utilizada como área de armazenamento quando o N800 é ligado ao computador como dispositivo de armazenamento. A utilização de um desses formatos é importante para que a partição seja reconhecida por diversos sistemas operacionais, incluindo GNU/Linux, MacOS e Windows. É comum encontrar partições com tamanhos que variam entre 256MB e 1GB. Esse espaço funciona como uma área de transferência de dados, ou pendrive, utilizado a partir do N800.
  • 1 Partição swap: permite usar o cartão como extensão da memória principal para programas em uso, permitindo que mais aplicativos sejam abertos ainda que a memória RAM seja totalmente usada, mas implicando em uma lentidão maior. Normalmente essa partição é criada com tamanhos entre 128MB e 256MB.
  • 1 Partição ext2 ou ext3: é criada de forma a permitir melhor integração com sistemas operacionais GNU/Linux, tendo características importantes como atribuição de restrições e privilégios de acesso, para atender a requisitos de segurança. Esse tipo de partição normalmente é usado para instalar ou clonar o Maemo ou arquivos e aplicativos sejam passados para ele, mantendo as configurações (de segurança) do sistema.

Na próxima seção será mostrado o processo de particionamento usando uma versão do GParted para o Maemo 4, usado no N800 e no N810. Nas seções seguintes serão vistas formas alternativas de se utilizar o programa no Ubuntu e versões independentes de sistemas operacionais instalados. Para fazer o particionamento nas versões para outros sistemas operacionais podem ser seguidos esses mesmos passos.

Aviso: a exclusão de partições e o processo de formatação apagam os dados contidos no cartão. Antes de fazer alterações na forma de particionamento, salve os dados em outro local, caso queira preservá-los. Tudo o que você fizer é por sua conta e risco.

Maemo (N800 e N810)

No N800 ou N810 é possível instalar o GParted baixando e executando o arquivo gparted-hack.deb. Após a instalação ele estará disponível no menu ‘Extras’ como ‘Partition Editor’. Ao abrir o aplicativo o cartão interno é mostrado, com as partições já existentes.

Visualização de um cartão no GParted usado no Maemo

Visualização de um cartão no GParted usado no Maemo

Se o cartão a ser manipulado for outro, basta acessar o menu principal com

  • ‘GParted’ -> ‘Dispostivos’ -> cartão a ser escolhido.

Se o cartão tiver sido inserido depois ou não for reconhecido, tente a opção ‘Atualizar Dispositivos’ para que o aplicativo o reconheça.

GParted - Seleção de dispositivo para o particionamento.

GParted - Seleção de dispositivo para o particionamento.

GParted - Cartão com as partições excluídas

GParted - Cartão com as partições excluídas

Caso o cartão já tenha alguma partição, o primeiro passo para iniciar a configuração planejada é excluir a partição existente. Selecione o único item que há desenhado e escolha excluir. Após a remoção aparecerá uma área cinza indicando o tamanho do cartão e informando que o espaço não está alocado.

Para criar uma nova partição, clique sobre a área cinza, em seguida clique no botão ‘Novo’ e então preencha os dados equivalentes. Para o exemplo foi utilizado o sistema de arquivos FAT16, em função do uso de 512MB para o tamanho da partição. Para o espaço livre antes e após foram mantidos os atribuídos ou calculados pelo programa.

No N800 não é oferecida uma forma de digitar diretamente o número referente ao tamanho da partição. Para facilitar o processo, basta clicar sobre a barra que representa a partição e redimensioná-la . O ajuste fino do valor pode ser feito com as setas para cima ou para baixo, presentes ao lado do número. Outras opções são o uso de um teclado externo (USB ou Bluetooth) ou do synergy.

GParted - Criação de uma partição FAT 16

GParted - Criação de uma partição FAT 16

A segunda partição será a de swap. Para criá-la é só seguir os passos anteriores, atribuindo como o tamanho 256MB, adotando a partição como primária, seu sistema de arquivos como Linux-swap e mantendo os valores de espaço livre antes e após como os definidos originalmente. Para isso, selecione a área cinza, logo após a opção ‘Nova’ e então insira os dados.

GParted - Criação de uma partição para SWAP

GParted - Criação de uma partição para SWAP

Com o espaço restante do cartão pode ser criada a partição de dados. A partição também é criada como primária e tem como sistema de arquivos o ext2.

GParted - Criação da partição para dados

GParted - Criação da partição para dados

Com todas as configurações feitas, confira os valores e, se tiver certeza, aplique as alterações. É neste momento que as mudanças serão aplicadas e que todos os dados do cartão serão apagados. Para confirmar as alterações acesse no menu

  • ‘Editar’ -> ‘Aplica todas as operações’.
GParted - Opção para aplicar modificações configuradas

GParted - Opção para aplicar modificações configuradas

Manter a partição swap entre a partição usada para ser reconhecida como pendrive (para a troca de dados com vários sistemas) e a de dados é interessante para permitir um ajuste posterior, caso seja necessário. Por exemplo, caso seja necessário ter mais memória virtual, é possível diminuir a partição ‘Transferẽncia’ e aumentar o tamanho da ‘swap’. Se o caso for contrário, a memória virtual não for muito utilizada e existir a demanda maior por espaço de compartilhamento de dados, basta diminuir ou remover a partição swap. A partição de dados pode ser usada da mesma forma com relação a swap, aumentando o diminuindo seu tamanho com modificação da partição que a precede no dispositivo de armazenamento. Nesse caso isso não parece tão útil, já que a área de swap é pequena. Em outras circunstâncias, essa é uma boa dica.

Observação: Arredondar para cilindros ou “round to cylinders” é uma opção que aparece nas janelas de criação e edição de partição. Apesar de o conceito de ‘cilindros’ não ser aplicado a cartões, essa opção deve ser usada com cuidado nos casos de modificação de partições. Se uma partição for redimensionada e a opção de arredondar para cilindros estiver habilitada, é possível que a partição seja movida para ser alocada no limite do cilindro. Além de fazer com que o processo de modificação seja mais lento, já que envolverá a mudança dos dados, é possível que ocorram problemas, como ocorre ao modificar uma partição do Windows Vista.

Sendo mais enfático, a pedido do Panaggio, deve-se evitar mover partições NTFS e outros padrões fechados. Como não se conhece totalmente a especificação destes padrões há um grande risco de o processo apresentar alguma falha.

Ubuntu

O GParted já está disponível na versão Live CD do Ubuntu, que pode ser executada a partir do CD de instalação. Caso o programa não esteja disponível a partir do sistema já instalado, é possível adicioná-lo a partir do terminal executando o comando:

sudo apt-get install gparted

Após a instalação ele pode ser acessado em

  • “Sistema” -> “Administração” -> “Editor de Partições”.

A interface é a idêntica à versão presente no Maemo. Para selecionar um dispositivo, é preciso apenas selecionar seu nome na lista à direita. Se o cartão for acessado a partir de um leitor que é visto pelo sistema como um pendrive, o dispositivo deve ser listado normalmente. No entanto, para conseguir selecionar o cartão a partir do leitor integrado ao notebook, por exemplo, talvez não seja possível apenas atualizar a lista de dispositivos pelo menu. Para conseguir editar o cartão é preciso ir no terminal e digitar:

sudo gparted /dev/mmcblk0

Nesse caso, o primeiro cartão disponível será aberto e selecionado pelo GParted. Para saber qual cartão deve ser chamado, basta executar no terminal:

ls /dev/mmc*

Com isso devem ser exibidos os cartões presentes, como:

/dev/mmcblk0 /dev/mmcblk0p1

A listagem inclui os cartões e suas partições. Cada cartão deve aparecer como mmcblkX, onde X é um número inteiro que começa em 0 e incrementa a cada cartão diferente presente. As partições são mostradas no formato mmcblkXpY, onde X é o cartão e Y é o número que identifica a partição. Tanto o cartão quanto a partição podem ser usados no momento de executar o comando que abre o GParted, mas caso a partição seja escolhida, apenas ela estará disponível para edição.

Ao abrir a partir do comando do terminal, GParted seleciona o cartão definido e mostra suas configurações.

GParted no Ubuntu

GParted no Ubuntu

Como é comum que o Ubuntu monte automaticamente os dispositivos inseridos no computador, é provável que o cartão já esteja montado. Para fazer qualquer alteração, é preciso clicar sobre um dos itens mostrados na lista de partições e solicitar sua desmontagem.

GParted – Alternativas para outros Sistemas Operacionais

Para aqueles que não têm uma distribuição GNU/Linux como o Ubuntu instalada, existem outras formas de se executar o GParted, como pelas opções de Live CD, USB e disquete. O próprio Ubuntu pode ser gravado em um CD e ser executado em um computador sem precisar ser instalado. Isso já garante a opção de usar o GParted para fazer o particionamento de cartões ou de discos.

GParted Live - Sistema Operacional básico

GParted Live - Sistema Operacional básico

Uma opção semelhante, mas ainda mais leve, é o GParted Live. Assim como o Ubuntu, ele pode ser colocado em um CD, pendrive ou cartão para que o usuário dê boot a partir dele. O programa vem em uma imagem própria para gravação em CD, mas pode ser gravado em um pendrive ou cartão SD usando o UNetbootin, disponível para Windows e GNU/Linux. Com isso, uma distribuição GNU/Linux é inicializada e abre automaticamente uma versão do GParted para o gerenciamento de um dispositivo de armazenamento.

O processo de inicialização do GParted Live exige interação com o usuário em 3 momentos. No primeiro solicita a escolha da forma de configuração do teclado. Em seguida, solicita a escolha de um idioma (a opção 01 é para o português do Brasil). Por fim, dá opções para o modo de inicialização, cuja opção padrão deve funcionar bem para a maioria dos computadores e pode ser escolhida pressionando ENTER.

GParted Live - Visualização do cartão pelo particionador

Uma terceira opção é o GParted Live USB, já pronto para ser copiado para um pendrive para abrir o sistema com o GParted. Apesar do processo de configuração do pendrive ser simplificado, há um número maior de perguntas durante a inicialização do sistema, que envolve configuração do vídeo e outras opções. Em comparação com o GParted Live, essa opção inclui mais aplicativos no sistema operacional carregado, incluindo um gerenciador de arquivos e um editor de texto com interface gráfica.

GParted Live USB - Desktop e Particionador

GParted Live USB - Desktop e Particionador

Todas as opções de execução do GParted possuem o mesmo modo de funcionamento apresentado para a versão do Maemo. Para fazer o particionamento ou formatação de um dispositivo de armazenamento, é possível seguir as recomendações feitas na seção do sistema operacional do N800/N810.

Particionadores em outros sistemas operacionais

Em algumas situações é possível evitar o trabalho de utilizar um outro sistema operacional ou  opção Live CD para e realizar alguma operação envolvendo partições no sistema operacional que se tem disponível. Algumas vezes as opções apresentadas pelos sistemas são limitadas, mas podem permitir realizar a ação que se quer no momento.

Gerenciamento de Disco do Windows

O Windows tem seu gerenciador de disco que permite visualizar os dispositivos de armazenamento e as partições criadas. Porém, o programa é limitado aos sistemas de arquivo trabalhados pelo Windows, como FAT16, FAT32 e NTFS.

Particionamento no Windows

Particionamento no Windows

Ao testar a modificação das partições criadas pelo GParted, o Gerenciador de Disco do Windows XP apagou todas as partições do cartão, essencialmente por conter sistemas de arquivos não reconhecidos (como o EXT2). Apesar do número limitado de sistemas de arquivos suportados, o gerenciador é interessante para particionar e formatar discos e cartões de memória que utilizem FAT e NTFS como sistema de arquivos.

Disclaimer: se dependesse do panaggio, isso não estaria aqui :o)

Particionamento no Maemo 5 (N900)

SFDisk no N900

SFDisk no N900

No N900 há pelo menos duas opções disponíveis para se realizar o particionamento. A primeira opção é o sfdisk que oferece recursos para manipular a tabela de partições no GNU/Linux. A interface é apresentada em modo texto e não oferece as operações de uma forma muito intuitiva, o que deve exigir cuidado extra ao realizar o particionamento.

Outra opção disponível para o Maemo 5 é o cfdisk que não chega a ter uma interface tão intuitiva quanto o GParted, mas é mais fácil de se usar do que o sfdisk. Para usá-la no N900 é preciso habilitar o repositório extras-devel e executar no terminal:


root

apt-get install cfdisk

Porém, como alertado no maemo.org, o cfdisk precisa ser usado com cuidado, já que está em uma versão de desenvolvimento e pode apresentar bugs. Neste ponto o sfdisk parece ser a opção mais estável, apesar de menos intuitiva.

Para usar o sfdisk e o cfdisk é preciso abrir o terminal e executar o programa com uma referência ao dispositivo que será particionado, da mesma forma realizada para executar o GParted no Ubuntu . Por exemplo, para executar o cfdisk com o cartão de memória é preciso fazer no terminal:


cfdisk /dev/mmcblk1

Após sua execução é apresentada a tela inicial do particionador, com um menu que apresenta opções navegáveis com os botões do teclado.

CFDisk no N900 (Maemo 5)

CFDisk no N900 (Maemo 5)

Um bom tutorial sobre o cfdisk pode ser encontrado no Guia do Hardware.

Particionamento no Maemo 4

Para quem desejar outras opções para o Maemo 4, além do GParted, existem o Fdisk e o Cfdisk, que trabalham em modo texto. Uma forma de usá-los no Maemo é instalando o console-tools que possui ferramentas úteis para serem usadas no processo de clonagem do sistema operacional para o cartão, além dos próprios particionadores. Alguns exemplos de como utilizá-los podem ser vistos em: fdisk (em inglês) e cfdisk (em português).

Conclusões

Apesar de não estar disponível em sistemas não GNU/Linux, como o Windows, o GParted oferece uma opção completa para o particionamento e formatação de dispositivos de armazenamento. As opções que executam a partir de mídias “bootáveis” oferecem uma boa alternativa para sistemas que não possuem um bom particionador incorporado.

A versão do GParted para o Maemo 4 é tão completa e intuitiva quanto as apresentadas em outros sistemas operacionais, como o Ubuntu. Para quem deseja um outro particionador no N800/N810 há opções como o fdisk e o cfdisk. Este último também está disponível no Maemo 5 e, junto com o sfdisk, permitem particionar meios de armazenamento em massa no N900.

18
Jun

Particionamento: Teoria

Uso de cartões no N800

Uso de cartões no N800

Ao comprar um cartão de memória, disco rígido, pendrive ou outro dispositivo de memória de massa o mais comum é ter uma única partição que oferece toda a capacidade de armazenamento. Pode acontecer pior: o dispositivo vir sem qualquer partição. De acordo com a finalidade de uso do dispositivo, é interessante modificar seu estado original de forma que ele separe o conteúdo armazenado em diferentes unidades lógicas. Esse processo de divisão do espaço de armazenamento é chamado particionamento.

O particionamento pode ser aplicado para diferentes dispositivos de armazenamento e para uso em computadores e outros dispositivos. De modo geral, algumas das vantagens que podem ser obtidas são:

  • Separar dados do sistema e dados do usuário: se o sistema operacional tem algum problema ou precisa ser alterado de alguma forma, apenas sua partição é modificada, preservando os dados do usuário;
  • Instalar diversos sistemas operacionais: permitir que mais de um sistema seja instalado, mantendo o isolamento dos dados entre eles e usando a estruturação de armazenamento adequada;
  • Obter características diferentes para o gerenciamento: é possível ter uma partição que valorize velocidade de leitura e gravação enquanto outra garante que os dados não sejam perdidos em caso de falhas.

Tratando de cartões e memórias de dispositivos com o Maemo (usado no N800, N810 e N900), há diversas situações em que o particionamento ou mudança de sistema de arquivos podem ser úteis, como:

  • Instalar mais de um sistemas operacional: Ter ao mesmo tempo mais de um sistema como o Maemo, Mamona, Mer, MeeGo e Android;
  • Clonar o sistema para o cartão: Ter uma cópia executável do sistema instalado na ROM para a ter um sistema de alternativo em caso de falha ou para tirar proveito da maior capacidade do cartão para instalar programas;
  • Montar uma organização diferente de arquivos: separar arquivos em divisões diferentes dos cartões, para organização dos dados, uso por sistemas diferentes ou outras finalidades;
  • Preparar o cartão para receber a instalação de programas: utilizar o espaço do cartão para a instalação de programas, livrando-se do limite atribuído originalmente ao Maemo na memória ROM;
  • Criar espaço para que um sistema operacional o reconheça como pendrive: o cartão em uso pelo N800 pode ser reconhecido por diferentes sistemas operacionais, incluindo o Windows, como um pendrive caso esteja formatado com FAT16 ou FAT32;
  • Criar área de memória virtual: criar uma partição SWAP que pode ser utilizada como memória RAM e assim permitir que mais programas sejam abertos ao mesmo tempo (com uma queda de desempenho).

Além das necessidades de particionamento, pode ser necessário fazer apenas a formatação do cartão para apagar suas informações. Antes de partir para a prática, que será vista em um post futuro, serão explicados alguns conceitos relacionados a partições e sistemas de arquivos.

Partições

Partições são formas de dividir o espaço de um dispositivo de armazenamento. Cada partição tem associado, direta ou indiretamente, um sistema de arquivos, que é a forma pela qual os dados serão gravados. A variação de uso de partições e de sistemas de arquivos pode ser influenciada por diversas razões, que incluem o sistema operacional utilizado, o tipo de dispositivo/mídia e a finalidade de uso.

De acordo com Bruno Torres, as partições podem ser classificadas como:

  • Primária: são partições que podem ser usadas para instalar um sistema operacional. Em um disco pode existir no mínimo 1 partição primária e no máximo 4. Se 4 partições primárias forem criadas, nenhuma outra, primária ou não, poderá ser adicionada;
  • Estendida: a partição estendida é um tipo especial de partição primária que permite que outras partições secundárias (chamadas partições lógicas) sejam criadas. Assim, caso seja necessário mais do que 4 partições sejam criadas em um disco, basta criar 3 primárias e 1 estendida, sendo que a última poderá conter mais do que uma partição lógica;
  • Lógica: como uma forma de ir além das 4 partições primárias que podem ser atribuídas a um disco, é possível criar até 16 partições lógicas dentro de uma partição estendida.

Assim, em um disco pode-se criar 3 partições primárias, 1 estendida e 16 partições lógicas, num total de 19 partições que serão diferenciadas pelo sistema para a gravação de arquivos. A partição estendida não será considerada, apenas as lógicas que estarão nela.

Sistemas de Arquivos

Outra informação importante a ser definida com relação às partições é o sistema de arquivos que será utilizado. Existem vários sistemas de arquivos, como FAT16, FAT32, ext2, ext3 e NTFS . O que define qual deles utilizar é o sistema operacional a ser utilizado, as características da mídia e o objetivo de uso. Por exemplo, o Windows XP só reconhece FAT e NTFS, então escolher um desses sistemas de arquivos é importante para fazer sua instalação.

Outros fatores que podem ser determinantes são limitações de armazenamento, como o tamanho máximo de uma partição ou arquivo, e a necessidade de ter uma característica específica, como atribuição de permissões de acesso, a capacidade de manter um registro das ações feitas no disco (journaling), para facilitar a recuperação em caso de falhas, e a menor influência por problemas de fragmentação de dados. A variação dessas características pode ser notada na tabela apresentada abaixo (mais detalhes em Comparison of File Systems).

Sistema de Arquivos Tamanho Máximo Journaling Controle de Acesso
Nome de Arquivo Arquivo Volume
FAT16 255 com UTF-16 2GB 2GB Não Não
FAT32 255 com UTF-16 4GB 8TB Não Não
NTFS 226 16EB 16EB Sim Sim
EXT2 255 16GB a 2TB 2TB a 32TB Não Sim
EXT3 255 16GB a 2TB 2TB a 32TB Sim Sim
EXT4 255 16GB a 16TB 1EB Sim Sim

Particionamento para o N800/N810

Para exemplificar a importância de se levar em consideração o número de partições e os sistemas de arquivos utilizados pode ser dado o exemplo de particionamento de um cartão para uso no N800, comumente usado para clonar o sistema operacional – uma opção comum para permitir a instalação de vários aplicativos sem se limitar aos 256MB de espaço disponíveis no N800. Uma configuração que pode ser utilizada para um cartão é:

  • 1 Partição com FAT16 ou FAT32: reconhecida pelo sistema como o cartão interno, e que é utilizada como área de armazenamento quando o N800 é ligado ao computador como dispositivo de armazenamento. A utilização de um desses formatos é importante para que a partição seja reconhecida por diversos sistemas operacionais, incluindo GNU/Linux, MacOS e Windows. É comum encontrar partições com tamanhos que variam entre 256MB e 1GB. Esse espaço funciona como uma área de transferência de dados, ou pendrive, utilizado a partir do N800.
  • 1 Partição SWAP: permite usar o cartão como extensão da memória principal para programas em uso, permitindo que mais aplicativos sejam abertos ainda que a memória RAM seja totalmente usada, mas implicando em uma lentidão maior. Normalmente essa partição é criada com tamanhos entre 128MB e 256MB.
  • 1 Partição ext2 ou ext3: é criada de forma a permitir melhor integração com sistemas operacionais GNU/Linux, tendo características importantes como atribuição de restrições e privilégios de acesso, para atender a requisitos de segurança. Esse tipo de partição normalmente é usado para instalar ou clonar o Maemo ou arquivos e aplicativos sejam passados para ele, mantendo as configurações do sistema.

Ext2 e ext3: integridade do cartão vs integridade dos dados

A principal diferença entre os sistemas de arquivo ext2 e ext3 é o suporte a journaling existente apenas no segundo formato. O journaling é um recurso que diminui a possibilidade de se perder dados e alterações feitas no dispositivo de armazenamento. Qualquer alteração a ser realizada no disco é registrada anteriormente em um “arquivo de log” (o journal). Assim, caso ocorra algum tipo de problema durante as ações (como desligamento do sistema por queda de energia ou falha), existe um registro das ações que deveriam ser feitas, permitindo que o estado original seja recuperado ou que todas as alterações que deveriam ser feitas, pelo menos as registradas no log, sejam realizadas.

Apesar da vantagem em ter maior confiança na integridade dos dados, o uso de journaling implica no aumento de gravações feitas no dispositivo de armazenamento. Para cartões de memória isso é uma desvantagem porque esse tipo de mídia tem um ciclo estimado de vida de 100.000 gravações. Assim, diminuir a quantidade de gravações nos cartões é uma medida interessante para aumentar a vida útil do dispositivo e o tempo estimado para considerá-lo um disquete não confiável.

O ext2 pode ser a melhor escolha caso o cartão seja utilizado para guardar informações que não são críticas e que podem ser recuperadas por outras fontes. Por exemplo, um cartão que seja utilizado para guardar músicas ou documentos de baixa importância que têm cópias em computadores ou outros locais. Se ocorrer algum problema e algum arquivo for perdido, basta fazer uma nova cópia da fonte.

O ext3 deve ser mais útil quando o aparelho é usado para gerar ou guardar dados que fiquem guardados apenas nele ou que em outro momento poderão ser salvos em outros locais. Assim, pode ser mais interessante assegurar que os dados estejam íntegros até que se possa fazer a replicação para outros lugares ao invés de se preocupar com o tempo de vida do cartão. Afinal, um cartão de memória não é o lugar mais indicado para deixar dados importantes e é sempre bom fazer backup.

Conclusões

É comum manter uma única partição para o uso de cartões em celulares, câmeras e outros dispositivos. Muitas vezes essa mesma situação ocorre com o uso de pendrives e HDs, sem que o usuário faça alguma alteração na forma como os dados estão organizados no meio de armazenamento. No entanto, a partir do momento que se cria a necessidade de separar dados de aplicações, ou de fazer um tratamento diferenciado para o dispositivo de armazenamento, surge a necessidade de se lidar com partições.

Neste primeiro post foram abordados os aspectos teóricos do particionamento, como motivos para fazê-lo e critérios a serem aplicados no momento de realizá-lo. Em um próximo post será exibido o particionamento de um cartão no N800 e a forma de se fazer o mesmo processo em diversos sistemas operacionais, incluindo Windows, Ubuntu e Maemo 5 (no N900).

6
May

Synergy no N900: compartilhando teclado e mouse do computador para o N900

O Synergy já foi apresentado no blog como uma forma de se compartilhar o mouse e o teclado do computador com o N800 e o N810. O objetivo deste post é mostrar como fazer o mesmo processo para o N900.

Funcionamento do Synergy - Retirado de http://synergy2.sourceforge.net/

Funcionamento do Synergy - Retirado de http://synergy2.sourceforge.net/

O interessante do Synergy é a possibilidade de uso de um teclado e de um mouse em vários computadores e dispositivos, entre diferentes sistemas operacionais. Dentre sistemas para os quais o programa está disponível podem ser citados Windows, Ubuntu e outras distribuições GNU/Linux e o Mac OS. O uso dele é interessante em um local em que há vários computadores ligados a seus próprios monitores. Para usar mais de um computador em um local de trabalho, por exemplo, usa-se o Synergy para usar apenas um teclado e um mouse e controlar todos os computadores. Para controlar um computador basta levar o cursor do mouse da tela do computador atual até o que se deseja acessar. O cursor irá sumir do monitor atual e passar para o novo, como se fossem dois monitores para um computador, mas, na realidade, sendo para computadores diferentes.

Dado o exemplo de uso é fácil reconhecer a utilidade do programa. Para o caso de uso de um computador compartilhar o teclado com o N900 a utilidade está em inserir texto de forma mais ágil no aparelho enquanto se está em um local com computador acessível. Assim, é possível digitar uma lista de compras no N900, usando o teclado do PC, e levá-la ao supermercado. Além disso, para fazer as configurações e instalações realizadas no terminal, comuns no N900, pode-se aproveitar a praticidade do teclado utilizado para a máquina de trabalho.

O funcionamento do Synergy pode ser visto no vídeo abaixo (novamente, para aqueles que têm uma boa visão…). Nele é mostrada a interação entre netbook (com Ubuntu) e N900 (Maemo 5), mostrando o uso de teclado, mouse e da capacidade de copiar texto entre os dispositivos.

O Synergy está disponível para o Maemo 5 a partir de um arquivo binário extraído do Easy Debian, conforme apresentado no fórum do Maemo.org. O arquivo pode ser instalado no N900 de forma independente do uso do programa do qual foi retirado. No entanto, a versão para o Maemo 5 ainda não tem uma interface intuitiva como a do QuickSynergy, disponível para distribuições GNU/Linux, como o Ubuntu e o Maemo 4, e para o Mac OS X. Contudo, como a idéia é utilizar mouse e teclado do computador para controlar o telefone, o Synergy é executado como um cliente, ficando para o PC a tarefa de configurar a disposição das telas e computadores que se beneficiarão do compartilhamento.

O requisito para a utilizar o Synergy entre duas máquinas/dispositivos é que eles estejam em uma mesma rede. Considerando esse requisito satisfeito, será mostrado como configurar o computador e o N900 para atuarem juntos com o Synergy. A versão desktop utilizada como exemplo será a do QuickSynergy no Ubuntu. O processo no Windows pode ser visto no post do N800/N810, já que a configuração do servidor é exatamente a mesma, independente do dispositivo que utilizará o compartilhamento. Na próxima seção será mostrado o processo de configuração, originalmente postado no fórum da comunidade do Maemo.

Configurando o computador pelo Ubuntu

O Synergy e o QuickSynergy, por padrão, já estão disponíveis nos repositórios adotados pelo Ubuntu. Para instalá-lo basta entrar no terminal e aplicar o comando:

sudo apt-get install synergy quicksynergy

O QuickSynergy é uma interface simples e intuitiva para o Synergy. Após sua instalação no Ubuntu ela deve aparecer em:

  • ‘Aplicativos’ > ‘Acessórios’ > ‘QuickSynergy’

Outra forma é pressionar ao mesmo tempo ALT+F2 e digitar ‘quicksynergy’, para que o programa seja aberto.

QuickSynergy no Ubuntu

QuickSynergy no Ubuntu

Ao ser aberto é mostrada a interface apresentada na Figura à direita. Tudo o que precisa ser feito para compartilhar o mouse e o teclado já está na tela principal. É preciso apenas escolher uma das quatro posições disponíveis e escrever o nome do N900. O nome padrão é o que aparece ao ganhar acesso como root no terminal. No caso o nome usado foi ‘Nokia-N900-02-08′ (ao que tudo indica, com referência à versão do firmware);

Configurando o N900

Antes de iniciar a configuração, é preciso cumprir alguns requisitos:

O útlimo requisito é ter a biblioteca “libxinerama1″ instalada. Assim, o primeiro passo é instalar a dependência:

apt-get install libxinerama1

Em seguida, baixe o arquivo synergyc. Esse é o Synergy, retirado do Easy Debian. Basta copiar o arquivo, descompactá-lo no computador e copiar para a pasta /usr/bin do N900.

Para exemplificar, será mostrado como fazer isso considerando que o arquivo foi copiado para o cartão de memória do aparelho. Para copiá-lo para a pasta correta foi feito:

root
cd /media/mmc1/
tar -vzxf synergyc.targ.gz
cp synergyc /usr/bin
chmod +x /usr/bin/synergyc

Após copiado não é mais preciso usar o acesso como root para executar o Synergy. Para executá-lo basta fazer:

/usr/bin/synergyc 192.168.0.112

Sendo que no lugar do IP (192.168.0.112) deve ser colocado o IP do computador que está compartilhando mouse e teclado.

Importante: O synergy continuará em execução ainda que o terminal seja fechado ou outro comando seja executado, mesmo usando CTRL+C. Isso é bom por pela possibilidade de fechar a janela ou continuar trabalhando nela. Contudo, o processo continuará em execução ainda que o synergy deixe de ser usado, o que implica em mais recursos de hardware sendo usados e consumo maior de bateria. Para que o synergy deixe de ser usado pelo sistema, abra o terminal e digite:

root
killall synergyc

Com a execução do comando, todos os processos do synergyc serão finalizados e o aparelho deixará de usar o mouse e o teclado do computador.

Fazendo o mouse funcionar

Como explicado no post da comunidade do Maemo é preciso associar um ícone como padrão no lugar do que originalmente é definido como transparente. Para isso é sugerido que se baixe o arquivo icons.tar, com alguns ícones disponíveis. Com o arquivo salvo e descompactado, basta escolher uma das opções e copiá-la para a pasta ‘/usr/share/icons/default/cursors’ com o nome transp.

Para o exemplo foi escolhido como cursor o cross, um discreto “+” vermelho, localizado em: ‘usr/share/icons/handhelds/cursors/cross’. Copie o cursor para o cartão do N900. Em seguida, acesse o terminal e digite:

root
mv /media/mmc1/cross /usr/share/icons/default/cursors/transp

O que o comando fará é mover o arquivo cross, copiado do pacote de ícones, para a pasta cursors, renomeando-o para ‘transp’, que passará a ser o cursor especificado.

Para fazer todo o processo de configuração do cursor no N900 uma forma é:

root
apt-get install wget

cd /media/mmc1
wget http://penguinbait.com/icons.tar
tar xf icons.tar
mv  usr/share/icons/handhelds/cursors/cross /usr/share/icons/default/cursors/transp

Por fim, para que o cursor seja ativado e passe a funcionar é preciso fazer uma gambiarra truque: abrir um site com flash e clicar sobre ele, para que o cursor seja ativado. Um problema disso é que o cursor volta a sumir quando o aparelho é reiniciado, sendo necessário abrir o navegador novamente.

Impressões

Como o programa ainda é uma versão ainda incipiente, é possível ver alguns comportamentos indesejados. A seguir são passadas as impressões de uso do synergy no N900 separadas entre mouse e teclado.

Teclado

  • O teclado não aceita os acentos. Se eles não forem usados a inserção dos caracteres ocorre bem, mesmo que se digite rapidamente;
  • A experiência com jogos foi boa, pelo que foi visto com o Dr. NokSnes.

Mouse

  • Após usar o “truque” de acessar uma página com Flash o mouse funciona bem. Dá para usá-lo no dispositivo ao invés do toque. Em alguns momentos, como no navegador, o comportamento não é tão bom. Por exemplo, no Xournal quando o botão do mouse é clicado o que ocorre é semelhante à múltiplos toques. Ao invés de aparecer um ponto no lugar onde se clicou, surge uma linha que vai do canto superior esquerdo ao ponto clicado.
  • O scroll do mouse funciona bem nos aplicativos (testado no MicroB, seleção de arquivo e terminal)
  • Em alguns momentos o mouse não reconhece bem o clique. Por exemplo, nos campos de texto

Com relação aos problemas notados pelo uso do Synergy no N800 foi possível notar a melhora com relação ao comportamento do teclado. No N800 é comum que o teclado virtual apareça sempre que a tecla ENTER é pressionada. No N900 o funcionamento do ENTER é correto e o teclado virtual não aparece, ainda que o teclado físico esteja fechado.

Gambiarra 2 Dica: ainda que o mouse e o teclado estejam em atividade no N900, a tela irá se apagar como se o dispositivo estivesse sem uso. Para que a tela fique ligada o tempo todo, uma forma é ir em ‘Configurações’, ‘Visualização’ e deixar a opção ‘Ecrã iluminado durante o carregamento’. Assim, basta deixar o N900 ligado na tomada/computador para que a tela fique ligada e o uso dele possa ser feito em conjunto com o computador.

Conclusões

O Synergy oferece um modo interessante e natural de se compartilhar mouse e teclado entre computadores e outros dispositivos. Sua versão no N900 ainda está em estágio inicial, com bugs, formas pouco ‘dignas’ de deixá-lo apto para uso com mouse e sem uma interface simples para configurá-lo. Apesar disso, é possível notar sua utilidade e, sobretudo, capacidade de uso com vários sistemas operacionais disponíveis. Não é infundamentado que se espere uma versão do QuickSynergy para o Maemo 5, uma vez que o Maemo 4 já o possui e que alternativas como o x2x (tema para um outro post) surjam.